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Depois de 4 perdas fui honrada com a Maria Isabela

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Olá!

Hoje resolvi dar meu depoimento depois de ler um apelo falando que talvez minha história pudesse ajudar alguma pessoa, me lembrei de quando eu sonhava em ter meu filho nos braços, amava ler histórias de sucesso, elas me encorajavam.

Meu nome é Vilaine, tenho 33 anos, casada, historiadora, atualmente em casa acompanhando o crescimento da minha filha, há 19 anos sou DM1  e para me tratar uso a bomba de insulina "pra mim" não tem como ficar grávida sem ela, talvez por que a mesma foi uma super parceira, tendo em vista também meu histórico que vocês acompanharão.

Minha história passada foi triste, ruim e chatiante... É revoltante ficar doente na adolescência! Já deu para notar que passei por todas as fases do diagnóstico né?! Revolta, negação e etc... Iniciei meu tratamento com a insulina NPH e após um tempo a Regular veio para o mercado, fiquei usando as duas desde então,minha família e as pessoas que convivem comigo sempre encararam o diabetes numa boa e me apoiavam. Mas o foco aqui é falar da minha história com a maternidade diabética.

Assim que nos casamos

Na adolescência me apaixonei por um rapazinho com a mesma idade que eu, ele se tornou meu maridão, com 18 anos já estávamos grávidos e casados, foi só a partir daí que meu tratamento tornou-se assíduo, fui apresentada a um endócrino e tive o meu primeiro glicosimetro (há 15 anos atrás), precisava me cuidar de verdade, pois estava gerando um bebê (usava NPH e Regular), me cuidei e com os conhecimentos disponíveis na época tudo ia lindo, o bebê com saúde conforme as ultras e nós felizes com a maternidade, porém  no final da gestação meu bebê ficou quietinho demais, quase não se mexia, fui ao médico, ele ouviu o coração e me disse:

- Bebês quando estão perto de nascer param de se mexer.

Eu simplesmente acreditei nele e voltei para casa, ficando de repouso do lado esquerdo como ele tinha pedido, no outro dia o bebe também não mexeu ,voltei ao médico (recém-formado) e na cara dele notei o desespero, o bebe já não tinha mais batimentos cardíacos (36 semanas), ele havia morrido, foi a pior dor do mundo! Na certidão de óbito, causa da morte dizia: Mãe diabética!

Não tinha dor maior Juan Augusto "nasceu”, parto cesárea, com 3,710kgs e 51 cm, e para todos a culpa era da diabetes ou minha né?! A maioria das pessoas acham que qualquer coisa que acontece conosco a culpa é do diabetes... Se gripa ,se tem dor de dente, tudo é culpa do diabetes ou porque você não cuida doença. Após o nascimento do Juan tive leite e não fui orientada a tomar medicamento para o mesmo secar, sofri muito neste quesito, o leite empedrou...

Passados 6 meses de tudo isso, agora já com meus 19 anos, engravidei novamente (usando NPH   e Regular) com o controle mais rígido, pensando que a alegria viria logo, fazendo as ultras nas datas certas e me dedicando ao tratamento. No quinto mês toda contente levei a fita K7 para gravar a ultrassom (não era DVD ainda), de repente vi de novo o olhar de desespero do médico que estava fazendo o procedimento, ele começou a gravar e parou muito rápido e assustado, nos falou:

-Não tenho boas notícias, seu bebe é anencéfalo (má formação rara do tubo neural).

Meu mundo caiu pela a segunda vez...

A causa poderia ter sido várias, mas a glicose alta poderia ser uma das opções, meu G.O tentava me acalmar falando que era como se fosse um acidente não escolhe doenças, mas pra mim era por causa da diabetes. Enfim, naquela época pra se interromper uma gestação de anencéfalo teria que entrar na justiça, demorava, fiz questão de não entrar já estava no quinto mês, escolhi ir até o fim, no fundo eu tinha fé que Deus faria um milagre, ou que todos estivessem errados, optei por seguir a gravidez.

Aos 7 meses começou uma pré- eclampsia, meu médico resolveu fazer o parto e fomos pra outra cidade pra ter nosso filho, longe de tudo e todos, a fim de evitarmos julgamentos e falação das pessoas, não precisávamos daquilo, já estava sofrido demais toda aquela situação, só contamos aos nossos pais o que estava acontecendo na semana do parto.

Com 7 meses Luan Augusto nasceu vivo (parto cesárea) e depois faleceu não me deixaram vê-lo... Como eu queria ter visto!

Passados 3 dias a pré- eclampsia virou uma eclampsia fiquei 4 dias em coma, perdi a visão por pouco tempo e a memória por poucos dias. Depois disso pensei em não ter mais filhos e seguir minha vida.

Resolvi investir em mim, na minha carreira, fiz faculdade, pós- graduação viajei por 9 países, acampei, escalei, fiz tudo o que queria fazer, construímos nossa casa e aproveitamos muito a vida... O diabetes em nada me limitou!

Gradativamente foi voltando à vontade de termos um filho, confesso que tínhamos um certo receio, eu sempre dizia:

-Quando eu fizer 30 anos vamos ter!

Resolvi ter, fui atrás da bomba de insulina para me ajudar nesta nova jornada. Santa bomba! Com todos os seus recursos, ia dar tudo certo. Tive paciência, a ansiedade era tomada por uma forte calmaria de que tudo daria certo, esperei o tempo necessário, cheguei à glicada exigida por meu médico e logo engravidei, no início foi um misto de sentimentos, quase surtei , media o diabetes de hora em hora, coloquei celular pra despertar durante a noite, foi muito tenso, mas ao mesmo tempo feliz... Engravidei no mês q planejei!

Fiz uma ultra com 5 semanas, o embrião tinha batimentos, estava tudo certinho... Que alegria! Queríamos saber o sexo do bebê, decidimos por fazer uma sexagem fetal (exame de sangue que apresenta o sexo do bebe) e com 8 semanas descobrimos que o Nicolas Augusto estava por vir, um garoto para nos alegrar ainda mais, infelizmente com 9 semanas meu filho já não tinha mais batimentos e assim fizemos curetagem.

Meu Deus! Quanta dor! Mas em meio à tormenta Deus agiu e me mandou um médico que sabendo do meu histórico de perdas e abortos me disse:

- Você não está perdendo os bebês por causa da diabetes, algo está errado, vamos pesquisar o motivo.

Todos os outros médicos que passei colocavam a culpa no diabetes, sem nem pensar, agora o diagnóstico parecia ser diferente, com os exames genéticos fui diagnosticada com trombofilia (é a propensão de desenvolver trombose devido a uma anomalia no sistema de coagulação), ela causava trombose na placenta e fazia-me perder o bebe, o tratamento era durante a gestação aplicar uma injeção por dia na barriga, o objetivo era evitar a trombose. Agulhas e injeções para uma diabética não era uma novidade, resolvi tentar novamente, já sabia a causa dos meus abortos, era só cuidar.  Estudos mostram que o diabetes pode desencadear também a trombofilia (é o que o meu hematologista acredita), porém para o meu G.O/obstetra no meu caso foi uma mutação em um dos genes e não o DM. Sendo assim, não houve um consenso da causa, mas saber o que eu tinha era uma benção, afinal eu faria o tratamento correto.

A quarta gestação já começou ruim, as ultras não nos apresentavam boas perspectivas, até a 8 semana o embrião não desenvolveu, fizemos curetagem com biópsia, e por meio dela soubemos que era um embrião com divisão de genes errados não tinha como desenvolver, na biópsia dizia sexo feminino, chorei muito, havia me cansado. Quando voltei ao medico lhe falei:

-Não quero mais, não aguento mais, desisti! A glicemia estava boa, tudo certinho, eu medicada ...E não deu certo?! Não quero mais saber!

Ele me olhou e falou:

-Hoje fiz o parto de uma q perdeu 5. Vai lá e pergunta pra ela se ela está arrependida de ter tentado mais!

Pensei comigo:

-Caramba vou ter que tentar de novo!

E assim aos 31 anos, engravidei. Não posso negar, fomos cobertos de orações, inúmeras pessoas intercediam por nós, nos entregavam em suas orações, Deus foi conduzindo tudo,foi uma gravidez calma, tranquila e abençoada.Fiz uso de todos os instrumentos necessários para o tratamento do diabetes e da  trombofilia, usei enoxaparina 40 mg, (é um anticoagulante que evita que o sangue se coagule dentro do vaso) usava 1x ao dia + o remédio AS, continuei com a bomba de insulina e o glicosímetro, ambos foram super aliados no tratamento do diabetes, já não acordava mais nas noites pra medir por que os valores estavam super estáveis, minha glicada na gestação foi 5.8%, a injeção para a trombofilia fazia seu efeito e tudo ia correndo bem... Pensa na minha alegria!



Se falarmos de complicações, as tive sim, mas tudo Deus providenciou, foram dois deslocamentos na placenta e também uma infecção na placenta e até pneumonia me sobreveio, porém considero que esta gestação foi muito calma e tranquila, além de querida,claro (Deus estava no controle!).




No dia 21/7/2015, Maria Isabela nasceu de 36 semanas e dois dias com 3,708kgs e 50 cm, (o mesmo peso praticamente que seu primeiro irmão), parto cesárea (agendada) com ótima recuperação, teve hipoglicemia, mas tomou soro no berçário e não precisou de UTI, teve icterícia ( e por isso ficou alguns dias na maternidade tomando banho de luz- nada associado ao diabetes), e com uma semana de hospital viemos pra casa, ficamos 10 dias no hospital, eu tive alta com 3 dias, porém fiquei mais 7 para acompanhar a Maria.



Atualmente Maria tem 1 ano e 6 meses, é amamentada desde o nascimento, não tive dificuldades neste quesito, sem rachões nos seios, bastante leite e não tive hipoglicemias associadas a amamentação.


 Ela é linda! A amamos por demais! Super saudável!

Nessa jornada de sofrimentos meu marido sempre esteve ao meu lado, cuidando de mim, me medicando, me dando comida nas hipos, sendo mais que parceiro. Foi meu médico, enfermeiro, amigo e tudo mais de bom que as palavras não podem alcançar... MEU AMOR! MINHA BENÇÃO, AMO VOCÊ!


Gratidão á Deus que sempre nos cuidou, nos segurou em seu  colo... Comecei falando que meu passado foi triste,mas na verdade só teve partes tristes, episódios apenas, pois sempre fui feliz e agora sou mais feliz ainda.

Maria Isabela e uns frasquinhos de enoxaparina 40 mg, remedio da trombofilia
A vida nunca é feita do jeito q a gente sonha, mas temos que correr atrás de sermos felizes, o diabetes vai impedir sim de termos filhos, principalmente se pensarmos na parte negativa dele e nos danos  que as descompensações podem causar, mas com um bom controle e respaldo médico, concretizar o sonho da maternidade se torna possível. Não amo ter diabetes, mas me acostumei com ele, o mesmo nunca foi e nunca vai será desculpa pra nada que eu queira fazer, não sou de muito drama com ela não, não sei se com minha história eu ajudo ou desanimo alguém mais se me perguntarem:

- Quer outro bebê?

Respondo:

- Simmmm!!! Quero!!! Só preciso me organizar com o diabetes, pois dei uma certa acomodada, mas acho que se minha filha não mamasse no peito já teria me programado pra encarar tudo de novo! Se Deus me permitir ano que vem quero!

A vida de mãe é corrida, mas me considero privilegiada, tenho a oportunidade de estar em casa vendo-a crescer, cuidar de mim e da rotina do lar, há uma pessoa que me auxilia nas tarefas diárias, o que facilita um pouco, mas não me isenta de responsabilidades.

Quanto a trombofilia o tratamento diário se dá apenas na gestação, só preciso me medicar caso faça uma viagem de avião que leve mais de duas horas, caso contrário nada necessita ser feito.

Termino meu depoimento por aqui e espero poder ajudá-las e quem sabe em breve possa lhes enviar outro.



Algumas verdades sobre a maternidade diabética...

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Saudades dele.
É bem verdade que a nossa vida vira de cabeça para baixo qdo eles nascem...
Cuidar deles, diabetes então... Fora que temos também outras funções sociais.
O fato é: Eles nascem e não sabemos mais viver sem os mesmos, parecem que sempre existiram em nossas vidas.
É uma loucura.Eles choram, damos mamar, colocamos para arrotar, dormem, qdo saimos de perto o show começa, qdo dormem e conseguimos fazer algo é no máximo um banho de gato, corremos, lavamos uma louça, colocamos a roupa na máquina, eles choram ,dá hipo, dá hipers, correções, tomar insulina, lidar com o medo da hipo sozinha...o ciclo recomeça, dormem de novo, penduramos a roupa no varal,varremos, começamos a lavar o banheiro, eles choram, novo ciclo,banho neles,unha para cortar,cólica e etc, etc...Não paramos! Dormir é privilégio, fora as madrugadas a dentro. Ah! Temos que ser "femininas", no mínimo, cabelo (pelo menos lavado), sobrancelhas limpas,depilação e com mt sacrificio as unhas (pelo menos cortadas), e qdo vc consegue pintá-las elas borram, pq vc foi medir a glicemia apertou o dedo e danou o esmalte... Era hipo...Corre!!! Maratona total.
Fora q no meio disso td o q aparece de palpiteiros...Valei-me meu bom Deus!
Enqto tudo isso vai ocorrendo, os bebes não param de crescer, tudo neles vai alterando e as nossas dosagens de insulina tb vão mudando, aquela do trimestre passado q vc decorou semana passada, já mudou rsrsr. Nisso o "pêlo" do suvaco cresceu, a sobrancelha tá igual a uma taturana, o esmalte da unha descascou, as unhas estão iguais a do Zé do Caixão, o cabelo só conhece coque, vc tem q estar animada para a vida sexual huhu...
E... Ah! Veio a candidíase... Lá vem a merda da vez,usar aquela pomada...Ô pomadinha chata viu!? Ah! E aquela sua amiga q ganhou bb bem depois q vc está com o corpo da Globeleza e vc da Mama Bruschetta, td mundo emagrece,menos vc...
Para melhorar a situação vc esqueceu da consulta dele no pediatra...Que má mãe vc é hem?! Putz, a sua foi semana passada e vc tb não foi...Trata de conseguir um retorno e tempo para fazer seu diário glicêmico...Afinal vc fará o q no endocrino sem o diário em mãos!?
Hora de voltar a trabalhar, para quem tirou a licença a maternidade...Outro desafio...Quem ficará com o bebe? Fulana, beltrana ou escolinha...Mas qual escola?
Chororo total com tds estas adaptações, nesta loucura, estas pessoinhas "q acabaram com a nossa paz" são a nossa maior alegria e sem elas tds as nossas correrias não teriam tanto sentido.
Tudo isso para lhes dizer que minha pessoinha está há 3 diasna casa da tia e estou aqui morrendo de saudades, tô ligando a TV e assistindo Discovery Kids inconscientemente, preparo td como se ele estivesse aqui... A minha loucura não ta fazendo tanto sentido sem ele, sabe?!
Ele está crescendo, mudando e eu aqui preciso começar a internalizar e me acostumar q o meu passarinho começará a seu tempo sair do ninho e eu mais do q ngm precisarei começar a me adaptar a isso...
Ainda que minha vida tenha ficado de cabeça para baixo, que eu tenha virado um polvo para dar conta de td, ainda que eu chore insegura, com medo de não dar conta, me equilibrando para cuidar do diabetes e da asma dele (crônicos) eu não trocaria isso td por nada nesta vida...Sabe o q é nada?Nada de nada mesmo...
DAVI, EU AMO VOCÊ!


Sem qualquer problema ou intervenção, tive a Emanuelly

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Meu nome é  Cintia , tenho 30 anos e sou diabética tipo 1 desde os 24 anos.

Estava pensando em engravidar, mas sempre tive medo, por conta do diabetes. Meu controle nunca foi ruim, mas também sempre tentei melhorar, minha glicada ficava por volta de 6% a 7% (não tenho sequelas).

Até que engravidei em dezembro de 2015, meus controles não estavam muito bons e não sabia que estava gravida. Minha glicemia estava dando trabalho, algumas hipers, valor médio de 200 mg/dl. Só soube da gestação em fevereiro de 2016, com exame de sangue, tive um enjoo e desconfiei. Gravidez!

Minha glicemia começou a melhorar, tinha algumas hipoglicemias (mínima 50 mg/dl), comia bem e sentia muita fome (no total engordei 17 quilos). Comecei a controlar o diabetes (hiper máxima 250 mg/dl), aumentando minhas glicemias capilares, de 8 a 10 vezes por dia. Fiz o pré- natal certinho e medrosa seguia a risca para poder controlar, mas as vezes comia uns docinhos e pelo meu controle dava certo. Minha glicada baixou para 6% depois para 5%.



No final da gravidez que minha glicemia começou a aumentar, no oitavo mês, mas nada em exagero como eu pensei que fosse.

Consegui controlar e minha gravidez não teve nenhuma complicação.

No dia do parto não usei insulina lantus só a ultrarrápida (humalog), fiz a ultima refeição às 15h e deu certo. Minha filha Emanuelly nasceu de cesariana, no dia 12 de setembro de 2016, as 17h44, com 3,150 gramas e 47,5 de altura, o pre- natal foi feito convenio .

No dia seguinte utilizei lantus, a mesma dose que usava antes de engravidar, e fui ajustando.


Após 4 meses do nascimento da bebê (que está muito esperta por sinal), consegui perder 7 quilos dos 17 que ganhei , a amamento exclusivamente (em média a cada duas horas), a dose da Lantus deu uma leve aumentada de 16u para 20 u, não faço contagem de carboidratos, tenho dosagem fixa para correções e antes de todas as refeições, não tenho tido hipos (são bem poucas) e quando as hipers vem, logo com 
correções normalizam.

Eu e minha filha ficamos em casa, cuido dela e do meu DM. Faço serviço de casa, mas dou prioridade a ela e me alimento de três em três horas sempre medindo a glicemia. Perco algumas horas de sono de madrugada amamentando (neste período ela mama a cada três horas). Tenho bastante tarefa em casa, sendo mãe e tendo diabetes, mas não me arrependo de nada.




No momento não estou pensando em ter mais filhos porque hoje em dia as coisas estão dificeis. Mas é um caso para pensar futuramente. 

Enfim, não tive grandes problemas na minha gravidez, fui muito comprometida  e tudo foi dando certo, fiz as medições corretamente, utilizei dosagens "corretas" de insulina (as vezes ela vai alterando) e me alimentei de forma saudável, com tudo isso a mulher diabética pode sim engravidar. Desejo-lhes que realizem seus sonhos de se tornarem mães, não se esquecendo da responsabilidade que isso traz consigo.


Abraços







Quando os filhos nascem...

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Davi com 15 dias aí na foto, eu toda inchada, temporariamente hipertensa, colesterol elevado, com a tireóide desregulada, o intestino que não funcionava direito, e o diabetes se ajustando (fora outras coisitas mais)...

Ah! Como eu queria ter saído do hospital com a barriga que comecei a gestar (tudo bem que nunca foi uma barriga negativa, mas não era aquela rs), sem inchaços e com um mega make...E aquele sangue horroroso depois que a gente ganha bebe? Pai do céu!

Lembro no dia desta foto ter agradecido a benção da maternidade, mas senti muito por meu corpo, nada ficava bem em mim, o cabelo tava uma disgrameira (caiu muito e ressecou), pele feia, a pressão uma tristeza, o DM oscilando... Era antagônico aquele sentimento que passava dentro de mim, me senti injusta, eu tinha o filho que pedi a Deus,deveria estar feliz... Mas odiava o meu estado físico, e as vezes a tristeza falava mais alto que a gratidão...

Mas na hora em que ela me abraçou (minha endocrinologista), tudo mudou de figura, tudo pareceu mais fácil e toda a paciência me sobreveio,a ansiedade foi cessando ...

Os meses que se seguiram foram tensos, tive muita dificuldade para amamentar, mas não desisti, Davi mamou muitoooo (quase até os 3 anos), na UTI, nem lembrei de leite materno e não fui estimulada pela equipe médica , apenas faltando 3 dias para a saída dele que uma enfermeira passou a me ajudar...

Conclusão: Nada de colostro, muito menos leite, descia muito,muito pouco e meu filho lá, na fórmula enquanto poderia ter tomado meu leite... OK! Sem crises...

O que fazer já em casa!?

Minha obstetra me deu medicamento e o pediatra do Davi foi um anjo, me ajudou muito com dicas e posologia do medicamento... Virei uma "vaca", vazava leite aqui... Glória a Deus!!!! Mas dei também fórmula,não foi amamentação exclusiva por opção.

Nos primeiros meses tive inúmeras hipos e uma fome horrenda, que me fizeram engordar muito (o que não ganhei na gestação veio depois na amamentação)...

Não me exercitei (deveria ter), contava carboidratos certinho, fazia minhas medições, mas comia muito, por fome, ansiedade e hipo... Imaginem o caos!rs

Davi até os 9 meses foi um bebê muito chorão... Pai do Céu! Era difícil ser uma mãe politicamente correta, dona de casa, profissional e diabética assídua com o mundo desabando na sua cabeça, era DM para medir, insulina para tomar, papelada de medicamentos para correr atrás, médicos,exames,remedios, medico de filho (que nasceu com algumas intercorrências e necessitava de acompanhamento), pegar ônibus (pois não tenho carro - tinham dias que era o maior vuco- vuco) era visitas aparecendo, o banheiro para lavar, o relatório do serviço para fazer, hora de fazer comida, de comer, de medir, de tomar medicamento, e medicar a criança, de acordar zilhões de vezes de madrugada com um bebê histérico, hora de corrigir hipo, hiper,contar carboidratos, de atender a chefe no telefone, de ir a uma reunião no serviço, de lavar, passar e cozinhar, sem auxílio de mãe, avó, sogra, empregada doméstica...Apenas meu marido que se mostrou um ótimo companheiro,
Chorei muito, muito mesmo, por medo, por ansiedade, por raiva, por me sentir incompetente e por inúmeros outros motivos...

Chorei no chuveiro, abraçando o travesseiro e chorei por querer chorar sozinha e não conseguir rs
Enfim, este texto é para lhes dizer:

" Tudo passa, nada é para sempre...
Dias tensos, complicados e ruins, todos nós temos, independente de qualquer coisa, mas aprendi que mesmo nos dias de loucura preciso cuidar do diabetes, preciso estar bem para dar conta das coisas que vão acontecendo, o tempo não para, cada dia de DM mau cuidado significa muito para mim lá na frente, ser mãe foi uma opção, eu sabia ou pelo menos tinha ideia de como seria...
Acho que o maior cuidado na maternidade diabética não é o antes e o durante a gestação, pois eles são tensos,mas passam...É depois, aqui, agora, qdo eles nascem e precisam tanto de nós com saude e aptas a curti-los, que a porca torce o rabo, que começa aser de fato dificil.
O antes e o durante é por um período curto (mesmo que pareça uma eternidade), mas o depois, o depois, não tem data de acabar, só de começar, e os filhos precisarão por muito tempo de nós mães... Cuidar de si, é tb cuidar deles e demonstrar tamanho amor e carinho por quem te fez e te faz tão feliz. Não abandone o tratamento, não se sabote, pq a unica pessoa quem tem a perder com isso é você"



10 meses após uma gestação, diagnóstico de DM1 e anos depois uma segunda gestação

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Meu nome é Naiara, tenho 29 anos, sou do lar, resido em Sorocaba/SP e fazem dez anos que sou diabética tipo 1.

Descobri o diabetes com 18 anos, dez meses depois do nascimento da minha primeira filha (Julia Gabrielly).

Gravidez da minha filha
Na gravidez tudo foi normal perfeito, mas dez meses do nascimento da minha filha, comecei a passar mal, emagrecer, sentir fraqueza e muita sede. Fui ao pronto atendimento e lá fui diagnosticada com diabetes, a glicemia estava em 600 mg/dl. Passei o dia lá tomando remédios pra abaixá-la, fiquei sem chão, a única informação que tinha sobre diabetes era que não poderíamos comer doces.

Comecei o tratamento com comprimidos que não fizeram nenhum efeito, e a partir daí vimos que eu necessitaria usar insulina.

No começo não conseguia aplicar as injeções sozinha, meu esposo e uma amiga que faziam isso pra mim, com o tempo fui perdendo o medo e assim consegui me autoaplicar.

Sempre sonhei em ter outro filho, mas só ouvia dos médicos que não era possível, que era um risco. No começo me tratava com uma médica que não cuidava de mim direito, minha glicada ficava entre 10% e 13%.

Ela só me dizia:

-VC NÃO PODE FUMAR, NEM BEBER E NEM.ENGRAVIDAR!!!

Graças a Deus troquei de médica, e assim meu tratamento foi melhorando. Comecei a usar a humalog (lispro) e a nph e também o comprimido glifage.

Em 2014 descobri que estava grávida, foi um susto enorme. Devido a glicemia alta e descontrolada, fui para o hospital para perfil glicemia, e lá descobri que era uma gravidez anembrionária, uma gravidez de ovo cego sem embrião. Meu mundo desabou foram os piores dias da minha vida . Ali decidi que não engravidaria mais, não queria passar por aquilo de novo.

No começo do ano de 2015, o glifage começou a me fazer mal, me dava dores de estômago, então parei de tomá-lo. No final de 2015, um ano depois da gravidez que não deu certo, outro susto estava grávida de novo. Mas dessa vez sentia que era diferente, sentia que era Deus quem tinha me dado essa benção.

Novamente fui para o hospital pra perfil glicêmico e lá fiquei 15 dias. Sai de lá sabendo que meu bebê estava se desenvolvendo, que dessa vez era real.


Comecei o acompanhamento com o endócrino especializado em gravidez de alto risco, lá uma vez por semana acompanhava a glicemia.



Graças a Deus tudo sempre normal, de vez em quando uma hipo ou uma hiper coisas da vida de um diabético . Continuei com a nph e a humalog. E assim a gestação foi seguindo, com 34 semanas, tive que me internar, pois minha glicemia começou a subir, fiquei seis dias no hospital pra controle e sai de lá com doses enormes de insulina era 20 de manhã, 22 no almoço e 29 a meia noite. Até brincava com endócrino que logo estaria bebendo a insulina de canudo.

Sai do hospital e continuei indo a maternidade três vezes por semana para acompanhamento do bebê, ele estava perfeito, e me disseram que com 38 semanas me internariam para indução.



E assim com 38 Semanas me internei, tentaram a indução, mas não deu certo, foi quando fui para a cesárea. E no dia 19/07/2016 meu príncipe Lorenzo Felipe veio ao mundo, pesando 3.810kgs e 50 cm.

Não Engordei nada na gravidez, pelo contrário perdi 10 quilos, por ser regrada na dieta e estar acima do meu peso, a dieta adequada me fez perdê-los e isso não foi prejudicial ao meu bebê. Meu príncipe nasceu com hipoglicemia e foi para o berçário, lá devido a um acontecimento acabou indo para a UTI neonatal, e lá ficou por 10 dias .

O que lhe ocorreu nada teve a ver com o diabetes,o cateter umbilical dele se virou e levou fluido para o pulmão, ele entrou em choque e não conseguia respirar, por isso foi para a UTI.Mas ficou bem e não lhe causou sequela nenhuma.

Eu me recuperei muito bem da cesárea. Nunca me cuidei tanto como na minha gravidez, nunca comi tão regrado como nesses nove meses gestacionais.

Sacrifícios que valeram a pena, hoje tenho meu príncipe, lindo e perfeito comigo. Por ter gestado sem diabetes e com diabetes, as diferenças são notórias, uma coisa que mãe com diabetes tem “a mais” das demais é a força de vontade e resiliência, ser mãe para nós não apenas querer, é desejar e fazer por onde tudo corra bem, pois existem muitos pormenores em nossas gestações, que com força de vontade conseguimos superá-los.

Meus filhos, minha benção

 Deus foi maravilhoso e me deu uma bênção sem igual.

Hoje ele está com 3 meses, tento manter o mesmo ritmo da gravidez na alimentação, mas de vez em quando dou umas abusadas, iniciei a gravidez com uma glicada de 6.9% e terminei com uma de 4.5%.


Estou conseguindo manter um bom controle o último exame deu 5.4%. Me. cuido agora pra poder ver meus filhos crescerem, pra poder olhar pra eles todos os dias e desfrutar e agradecer a Deus pelos meus milagres. Com fé e força de vontade podemos tudo, até aquilo que sempre nos e dito que não.

14 de Novembro Dia Mundial do Diabetes

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"Tenho Diabetes Tipo 1 , escrevi minha própria história e constitui minha família. Nada nesta vida nos impossibilita de alcançarmos nossos objetivos, ainda que tenhamos que adaptá-los a nossa realidade, seja ela qual for."
Eu sou Kath Diabética Tipo I, tenho diabetes há 9 anos e 10 meses,uso bomba de insulina, casada com o Anderson, mãe do Davi, sou formada, tenho um emprego, exerço minhas inúmeras funções sociais, tenho informações sobre o diabetes, as utilizo e mesmo diante da loucura que é a vida, quem controla o DIABETES sou EU. Há coisas que só nós podemos fazer, mesmo que cercados de pessoas que nos amam!
14 de Novembro Dia Mundial do Diabetes
BLOG DIABETES E VOCÊ, pela maternidade de mulheres com diabetes.
http://diabetesevoce.blogspot.com.br/
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Tenho diabetes tipo 1 e sou pai!

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Olá, me chamo Daniel Ramalho, moro no Rio de Janeiro, tenho 42 anos de idade, 8 anos de diabetes tipo 1, sou casado com uma argentina que me atura há 7 anos e há 5 meses me tornei o papai com diabetes mais babão do mundo (risos). 

Quando me perguntam o que eu faço da vida, costumo dizer que definir minha profissão é algo que merece um estudo que ainda não tive tempo de fazer, justamente por me dedicar a muitas coisas! Hahaha! 

Formalmente, sou um dos diretores de uma escola há 19 anos e para a maioria, essa é a minha profissão: empresário e administrador escolar. É inegável que essa é minha atividade principal, pois é de onde vem meu sustento, mas não posso deixar de agregar, sempre que me perguntam, que também sou compositor, ator, escritor, professor, pedagogo, jornalista, blogueiro, surfista, bodyboarder, comunicador de uma forma geral e tem muito mais rótulos para mim, pois realmente eu não paro quieto e recentemente adicionei o que eu mais gosto: pai!

Sobre o tratamento do diabetes, posso dizer que me dou bem com minhas rotinas. Desde o diagnóstico utilizo as insulinas NPH e Asparte (Novorapid), com seringas e canetas. Nunca havia sentido necessidade de mudá-las, pois os exercícios físicos e uma boa dieta sempre foram grandes aliados de meu tratamento, mas com uma antiga lesão na perna que voltou a incomodar há um ano, diminui meu ritmo e frequência de treinos, o que acabou complicando para manter os níveis glicêmicos satisfatórios na maior parte do tempo. Acabei ganhando indesejáveis 6 quilinhos.

Quanto ao peso, estou melhorando minha dieta e fazendo os exercícios com maior frequência e cuidado, mas no tocante à insulina, confesso que estou estudando a possibilidade com o meu médico de mudar para a Lantus. O custo do tratamento ainda é um fator que pesa bastante nessa decisão, mas ter uma maior estabilidade da glicemia nos dias em que não posso fazer exercício, é algo bem tentador e que devo decidir logo para evitar qualquer tipo de complicação do diabetes. Até agora não tive nenhuma e espero não ter.

Receber o diagnóstico de DM1 aos 34 anos (eu já estava praticamente fora do que se considera normal para a manifestação do tipo 1) não foi nada agradável, mas tampouco baixei minha cabeça. 

A primeira reação foi de incredulidade, preferia pensar que havia algum erro no exame e no mesmo dia consegui ser atendido por um médico. Procurei qualquer um, tal era a minha ansiedade para saber se era verdade ou não (risos). Eu sabia que era, mas precisava que um profissional me dissesse. E ele, um médico muito figura, me disse sorrindo, quase debochando, pois eu mesmo estava fazendo graça com a situação, que era verdade.

Aceitei! Não tinha o que fazer mesmo... Imediatamente pedi que me passasse todos os exames que pudesse para fazer, pois se houvesse algo mais, aquela era a hora de saber e enfrentar. Foram quase 100 exames! Hahaha!

Só consegui ser atendido por um endocrinologista 3 semanas depois e esse foi o tempo que aproveitei para a maioria dos exames solicitados pelo outro doutor. A vantagem de toda essa demora é que eu já cheguei ao consultório do especialista conhecendo a doença, pois “devorei” todas as fontes de informações sobre diabetes que pudesse ler nesse tempo, além de já levar dados importantes dos exames como já saber que era tipo 1, já estar monitorando a glicemia com o glicosímetro, levar anotações detalhadas das glicemias de vários dias e em várias situações e momentos diferentes desses dias, já ter voltado a uma rotina de exercícios físicos, enfim, eu não iria me entregar fácil e o endócrino encorajou minha atitude.

Precisava seguir nessa pegada, mas então, 3 dias antes de completar um mês do diagnóstico e 1 semana após a primeira consulta com o endocrinologista, veio um divórcio e as coisas se complicaram bastante. Com todo o estresse que envolve esse tipo de situação, conheci o que chamo de “gangorra glicêmica”: quando por mais que você esteja fazendo tudo corretamente, sua glicemia torna-se praticamente imprevisível e incontrolável.

Naquele momento conheci a rebeldia, a revolta e o medo que todos diziam rondar o diabetes.

Foram mais um dois meses até que conseguisse começar a estabilizar minha vida e minha glicemia novamente, mas foram dois meses de muita luta, persistência, autoconhecimento, frustrações, dor e tudo isso sem deixar de acreditar que a felicidade sempre seria a minha maior meta. Foi isso que me deu força. Foi a crença de que a vida estava me batendo naquele momento para que eu fosse mais feliz no futuro, que me fez levantar novamente.

Apostei, corri atrás e consegui: 3 meses após um diagnóstico de uma doença crônica seguido de um divórcio, eu estava de pé novamente, havia descoberto forças em meu próprio coração que até então desconhecia e já estava pronto para a reconstrução de sonhos, mas com um elemento a mais, o cuidado com o diabetes.

Assim foi o meu diagnóstico, cheio de altos e baixos, mas marcado por uma característica minha que já conhecia, porém nunca havia me dado conta: a resiliência, a capacidade de reagir perante situações adversas e superá-las. Tenho muito orgulho desse momento e de outras situações que poderiam ter me deixado acomodado na posição de vítima da vida, mas que preferi reagir e superar os desafios.

A partir daí, desenvolvi uma ótima relação com meu endocrinologista, com muita conversa e troca de informações. Manter a glicemia controlada diante disso, desse envolvimento entre médico e paciente, torna-se muito mais prazeroso e eficaz no tratamento. Não, não é fácil, mas fica menos complicado. Ainda assim convivo com todas as dificuldades que qualquer DM convive: hipos e hipers estão sempre nos fazendo uma visitinha, aliás hoje tive uma hipo noturna (risos).

Com minha atual esposa a coisa funciona muito bem. Desde que a conheci, ela sabe de minha condição, quando ainda nem estávamos juntos. Ela me alerta nas horas em que tenho meus deslizes (quem não os têm?), está sempre lembrando dos horários da insulina quando me esqueço, adere à minha alimentação em casa... Ela é muito tranquila, já conhece bem o diabetes, pois já lhe dei várias aulas (risos) e me ajuda bastante no tratamento. 

Meus maiores medos se referem às hipos noturnas, mas já a instruí como proceder caso ocorra um desmaio ou algo assim. Normalmente acordo e nunca tive grandes problemas além da fome insaciável (risos). Me cuido também objetivando evitar complicações, pois ficaria muito triste em dificultar minha prática esportiva e locomoção.

Atualmente comenta-se um pouco mais, mas ainda não o suficiente, sobre uma das coisas que considero mais tristes no diabetes: a maior possibilidade de desenvolver uma depressão. Poucos são os que realmente entendem o que é esse quadro e a maioria não dá a devida importância. Muitos cuidam apenas da parte corporal, mas a mente merece uma atenção urgente. 

É muito comum nos depararmos com pessoas que convivem com o diabetes em situações muito tristes na questão do ânimo de viver e de lutar. Infelizmente vejo que ceder à revolta é um caminho muito mais frequente para os DMs do que a vontade de aceitar o diagnóstico e se aliar ao tratamento. Ainda há muita resistência a buscar-se a ajuda de um psicólogo, o que, para mim, é lamentável. Informar-se bastante sobre o diabetes e um ter apoio psicológico de um profissional, pelo menos nos primeiros meses de diagnóstico, são partes importantes do tratamento que com frequência são esquecidas. Depressão é coisa séria e merece ser tratada como tal.

Eu me protejo, faço minhas atividades físicas que ajudam no equilíbrio da química corporal e aumentam a sensação de felicidade, escolho boas leituras para cuidar de minhas glicemias e injetar minha dose diária de alto astral na mente, quer dizer: se alguma deprê se aproximar, eu chuto ela pra longe (risos)!



No início de 2014, como forma de aprender mais e melhorar meu tratamento, passei a frequentar grupos sobre diabetes no Facebook. Gostei muito da experiência e procurei algum que se dedicasse à importância dos esportes no tratamento do diabetes, pois, como filho de ex-professor de educação física, desde criança sou praticante e um grande entusiasta das atividades esportivas, principalmente das radicais e as que me colocam em contato com paisagens naturais.




Não encontrei e, notando que muitos curtiam o que eu postava e comentava, resolvi criar um que abordasse essa relação: surgiu o DIABETES ESPORTE & NATUREZA.

A recepção foi ótima, em pouco tempo já tínhamos um número expressivo de membros no grupo e surgiu então a ideia de colocar alguns de meus talentos para fazer um trabalho bacana com todos: daí nasceu o vídeo NÓS PODEMOS TUDO, lançado no Dia Mundial do Diabetes de 2014, com música, texto, narração, direção, edição minhas e a participação de vários membros do DEN. Quem se interessar e quiser ver o vídeo, que já foi apresentado até em um Festival de Curta Metragens em Porto Alegre em 2014, é só clicar no link:


O DIABETES ESPORTE E NATUREZA não parou de crescer, ganhou blog, em seguida a página no Facebook e a cada dia mais me aprimoro na tarefa de levar um pouco de ânimo, informação e bom astral a quem precisa se levantar e cuidar de sua saúde. Estudo muito para isso.

Com o crescimento da página, acabei optando por fechar o grupo onde tudo começou, pois, com tanto trabalho, seria irresponsável de minha parte deixá-lo aberto sem uma moderação à altura, principalmente com tantos profetas da cura inexistente andando por aí.
Atualmente estamos presentes no Blog www.diabetesesporteenaturezacom.br, Facebook, Instagram, Twitter e Youtube, sempre levando uma mensagem positiva que a cada dia considero ganhar em qualidade, sobre tudo a partir do início de minha pós-graduação, que agora termino, em Psicologia Positiva e Coaching.


Vejo no trabalho realizado em grupos e blogs um grande incentivador e esclarecedor daqueles que tem dificuldade em lidar com a disfunção. São muitas as abordagens e enfoques dos vários blogueiros envolvidos nessa missão e sempre há uma página com a qual qualquer pessoa que queira buscar informações e apoio irá se identificar. O melhor de tudo é que na maioria das vezes, tanto grupos como blogs são criados e administrados por pacientes ou familiares que cuidam de pacientes, colocando em pauta o que há de mais íntimo e importante para a vida de quem tem diabetes: suas dificuldades, dilemas, dúvidas, curiosidades, revoltas, superações, opções de tratamento, situações divertidas, enfim, uma enorme variedade de opções de temas, todos em torno do DM, que dificilmente serão discutidos em consultórios médicos, obviamente, sempre deixando claro que toda e qualquer prescrição ou mudança no tratamento deve ser feita por médicos habilitados e presencialmente. 

O papel do blogueiro, falando resumidamente, é fazer essa ponte entre o tratamento prescrito pelo médico e outros profissionais da saúde e a realidade vivida pelo paciente, tendo em vista que no diabetes, o que funciona com um, não necessariamente funcionará com outra pessoa da mesma forma, tornando-se a informação e interação com outras pessoas com diabetes, fator importantíssimo no avanço do autoconhecimento e na busca de um tratamento adequado a cada pessoa.

Voltando ao papel de minha família em meu tratamento, sempre contei com o apoio de minha esposa, pais, sobrinho (que também é DM1, mas desde os 7 anos) entre outros. Tudo torna-se mais fácil quando sua base familiar é composta por pessoas que entendem sua situação, mas, repito, nunca é fácil e o maior desafio estou enfrentando agora: a paternidade, super planejada, mas que sempre reserva muitas surpresas.

Considero o papel do pai menos complicado do que o da mãe em vários aspectos, mas nem por isso as coisas são fáceis para nós. Quando colocamos o elemento diabetes nesse meio, aí o papel feminino complica ainda mais. Nutro uma enorme admiração pelas mães DMs e as mães pâncreas. São tarefas complicadíssimas lidar com os altos e baixos de uma gravidez com diabetes, bem como merece aplausos a mãe que enfrenta a difícil tarefa de cuidar de seus Docinhos, lidando com questões tão complexas, para cuidar de um corpo que não é o seu, tendo que, muitas vezes, tentar “adivinhar” o que está acontecendo com seus filhos por eles não saberem se expressar como um adultos.

A gravidez de minha esposa foi muito tranquila em comparação a muitas outras que conheço. Conseguimos, com certa facilidade, lidar com minhas rotinas e poucos foram os sustos com a bebê ainda no ventre, portanto, as “gangorras glicêmicas” não se fizeram muito presentes nesse momento... pelo menos não com a gravidez como motivo (risos). 

Talvez minha maior preocupação tenha sido justamente a de minha esposa desenvolver uma DM gestacional, o que, ainda bem, jamais nem chegou perto de acontecer, ficando o maior estresse para o momento do nascimento: devido a uma preeclampsia o parto foi adiantado em 18 dias e só ficamos sabendo disso poucas horas antes do nascimento. Vocês podem imaginar a correria e o receio de que a bebê entrasse em sofrimento, não é? Minhas glicemias devem ter ficado uma loucura, pois a adrenalina era tanta que nem me lembro delas. Hahaha!

Como pai e DM1 posso dizer que no início, como tudo na vida, foi uma questão de adaptação. O ponto mais complicado, que é a amamentação, fica a cargo da mãe. Adaptar nossos horários aos dela foi difícil, mas um grande prazer que só me afetou mais a glicemia nos primeiros dias por conta das noites em claro. A felicidade era tanta que por vezes esqueci de tomar minha insulina, mas nada que não pudesse contornar. Gosto de fazer parte de tudo, de cada momento e para mim não tem esse papo de homem não fazer isso ou aquilo: quem está na chuva é para se molhar (risos) e não teria o direito nem a cara de pau de jogar tudo na mão da mãe: acordo no meio da noite, faço dormir de novo, se tem que trocar fralda é comigo mesmo, preparo e dou mamadeira, banho... Só não corto as unhas de minha pequenina porque tenho um medo danado de, com minha habilidade manual e miopia, arrancar parte de seu dedinho (risos).

A coisa só veio a complicar bastante há umas três semanas: terminou a licença-maternidade de minha esposa e com sua volta ao trabalho houve a necessidade de reformularmos nossa vida. Por um lado passei a ganhar mais tempo com minha filha, o que não tem preço, pois minha esposa sai mais cedo para trabalhar e eu fiquei com as tarefas de complementar a amamentação com a mamadeira, prepará-la e levá-la para a creche/berçário, que é a uma quadra do meu trabalho. Eu também a busco e levo para casa, com isso sobra pouco tempo para a tarefa que considero das mais importantes do tratamento: os exercícios físicos.

Ainda estamos nos organizando, mas a verdade é que tem sido bem difícil manter uma disciplina de atividades esportivas com essa mudança em minha vida, em alguns momentos por falta de horário e outras pelo cansaço. Essa situação se complica um pouco mais com o fato de estar fazendo duas monografias para pós-graduações que estou terminando, além do trabalho com o blog DIABETES ESPORTE & NATUREZA. Haja gerenciamento de tempo nessa vida! Hahahaha!

Hoje mesmo está sendo bastante complicado, pois tive uma hipo noturna na última madrugada e logo cedo pela manhã, minha pequena Maria Luz resolveu que não dormiria mais (risos). Estou me sentindo um zumbi no trabalho, pois costumo ter dificuldade para dormir após as hipos noturnas e, com isso, as glicemias de hoje também não estão nada animadoras. Mas é como disse anteriormente, como tudo na vida, precisamos estar em constante adaptação às novidades. O que importa é que estou podendo exercer meu papel de pai por mais tempo do que esperava e estou amando tudo isso (risos).

Sendo DM1, tenho sim o medo de que minha filha, ou outro que também planejamos para daqui a algum tempo, também venham a ter diabetes. Converso bastante com a pediatra dela sobre isso e tomamos todos os cuidados na observação de possíveis sintomas. Se tiver que vir, virá, pois o tipo 1 não se pode evitar, mas confesso que rezo todos os dias para que isso não aconteça, e se aparecer, que possamos agir com rapidez para evitar mais problemas.

Em 2002 perdi um irmão por complicações do diabetes e tenho também um sobrinho (nada pequeno, pois tem a minha idade) DM1 desde os 7 anos. A família também suspeita que um de meus avós tenha falecido em 1959 por complicações de um diabetes não diagnosticado, pois não costumava consultar médicos. Com esse histórico familiar, é impossível não temer, mas se a vida quiser nos impor mais esse desafio, o encararemos como todos os problemas: com força, garra, vontade de perseverar, jamais permitindo que o desânimo nos abale a ponto de nos paralisar. Superação acima de tudo! 

Já me acostumei a falar com minha filhinha enquanto tomo minha insulina, mostrar a ela a seringa como se já falasse e entendesse. Hahaha! E o pior é que ela me dá toda a atenção! Hahaha! Um dia ela poderá cuidar de mim, pois farei questão de ensinar tudo sobre minha disfunção. Será um reforço e tanto para o meu tratamento. Será não, é! Ao vê-la nascer ganhei a maior motivação para me cuidar cada dia melhor: poder ver minha bebê crescer e participar de sua vida o máximo de tempo que a minha saúde me permitir. Minha pequena valente, já encarou suas seringas também com as necessárias vacinações pela qual passam os bebês. Em algumas ela nem chorou e acredito que vem aí uma grande guerreira para me ensinar ainda mais! 

Seria leviano de minha parte dizer que gosto de ter diabetes. Não... Definitivamente não! Tampouco posso dizer que odeio tudo o que veio com o diabetes. Se seringas, agulhadas, furadas nos dedos e momentos de fome em que temos que ser fortes às vezes nos tiram do sério, há, por outro lado, o orgulho da superação diária, as lições de persistência e força, as pessoas melhores que, se permitirmos, aflorarão para contrabalancear aquilo que nos aflige.

Considero-me uma pessoa muito mais madura, forte, persistente e vitoriosa depois do diagnóstico, mas isso só foi possível porque a vida me apresentou duas opções: sofrer de diabetes ou viver com diabetes. Eu escolhi a segunda opção, pois não há nada nessa vida que não possamos fazer se seguirmos nossas responsabilidades.

Aceitemos todos a nossa condição, convivamos em paz com ela, cuidemos de nossa saúde e jamais deixemos que alguém nos diga que não podemos isso ou aquilo. NÓS PODEMOS TUDO! Basta que nos informemos e façamos nossa programação. 

Quando fui diagnosticado e comecei meu divórcio, pensei que a vida houvesse se fechado para mim e que nunca mais me recuperaria. Não só me recuperei como conquistei coisas que jamais imaginaria que conseguiria.


Não permitam que alguém diga que vocês não podem isso ou aquilo por terem diabetes. As limitações só existem em nossas mentes se permitimos que elas ali façam morada. Libertem-se, bem como a seus sonhos, através da informação sobre nossa enfermidade e do autoconhecimento.

Existe uma linda vida esperando a cada um de nós, mas ela só se apresentará quando nos comprometermos em aceitar que os espinhos fazem parte da caminhada e que a felicidade é o caminho.


 


Um grande abraço,
DANIEL RAMALHO
DIABETES ESPORTE & NATUREZA