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Comprar ou não bomba de terceiro? Eis a questão!

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Bom, agora me sinto preparada e de coração aberto para explicar o por que de eu ter sumido do blog, o por que de eu não ter postado mais nada.

A vida não é fácil para ninguém, todos enfrentamos dificuldades, seja elas quais forem. A diferença está em como encaramos as coisas, e eu me senti num redemoinho repentino de dificuldades pessoais, profissionais e de saúde... Enfim, de repente vi que eu estava me refugiando apenas no tema Diabetes, por que no final das contas era nele que eu me sentia segura. Resolvi dar um basta nisso, porque no afinal de contas o diabetes é "meu parente mais íntimo (Tia Bete)" que estará sempre comigo, exigindo-me responsabilidades,  mais minha vida não resume-se a isso , tenho família, amigos e minha vaidades.

Como disse anteriormente, fiz o test drive com a bomba de infusão (SIC!), me adaptei, minhas glicemias notavelmente melhoraram e dei entrada no processo. Perdi o administrativo (processo via AME Maria Zélia onde preenchemos um formulário). Logo dei entrada com advogado e perdi o processo em 1ª instância (12/12/2011) e em 2ª Instância (01/03/2012), um parentêse nesta situação (tive mais trabalho com a adogada do que com o processo). 

Neste turbilhão de acontecimentos surgiu a oportunidade de eu adquirir uma bomba. Uma pessoa  havia comprado (MiniMed 508) e logo ganhou a ação contra o estado ganhando a SIC + insumos (Roche). Conclusão: A bomba da Medtronic não lhe seria mais útil, então ela resolveu vendê-la quatro anos depois da compra, por um valor bem abaixo do mercado. Eu faria o test drive  de um mês com a bomba do vendedor + os insumos para o tempo correspondente, pagaria pelo mesmo á vista e o restante do valor seria parcelado em duas vezes.

A proposta me pareceu tão favorável e havia caído em minhas mãos como luvas, que nem pensei, combinei de pegar a bomba dando-lhe um valor á vista, e dois cheques parcelando o restante do valor. Pronto, agora com a bomba nas mãos estava feliz, pensando em entrar com o pedido apenas dos insumos, foi quando me deparei com as dificuldades que eu teria em ter comprado a bomba de terceiros, sendo elas:

- Problema número 1: O laboratório não dá suporte a quem não é o "verdadeiro dono da bomba", então teria que aprender a mexer nela sozinha, já que a antiga dona não lembrava das funções do aparelho. No períodp de test drive não fiquei nem 07 dias com a bomba instalada, por dificuldades em seu manuseio e por um pedido médico em retirá-la (os motivos estão abaixo).

-Problema número 2: Não poderia solicitar os insumos do Estado, estando já com um processo da bomba. Ou os insumos ou a bomba em si.

-Problema número 3: Por ter uma vida corrida, a vendedora nem sempre era acessível, o que me dificultou muito. Já não tinha o laboratório então a quem recorreria? Por mais que eu tivesse feito o test drive com a Paradigm 715, ela se difere em alguns aspectos da MiniMed 508, e o manual não era tão claro. Tive auxílios virtuais de algumas colegas, e uma até se prontificou em me ajudar, mais ai já estava no processo de devolução da bomba;

-Problema número 4: A bomba é um equipamento intransferível, ou seja, o diabético será sempre diabético por isso precisará sempre do aparelho. Desta forma não pode vendê-lo  para outra pessoa, todo seu registro feito junto ao laboratório e a ANVISA, não pode ser transferido á ninguém,caso isso ocorra o comprador dependerá sempre do vendedor, pois todas as vezes que ele precisar de um insumo, informação ou manutenção terá que solicitar ao antigo dono para que este peça ao laboratótio competente. ESTARIA SEMPRE DEPENDENTE DO VENDEDOR. E se este se mudasse? E se eu perdesse o contato? E se? E se? Esta é uma prática não conhecida pelo laboratório, já ouviram falar de doação e não de venda e em ambos os casos preferem se manter distantes deste tipo de situação. É desvantajoso também para eles (é lógico!).

-Problema número 5:A bomba havia perdido a garantia de laboratório (4 anos), caso desse algum problema, eu precisaria pedir ao vendedor para solicitar ao laboratório a manutenção que custa R$4.500,00  e sem garantia de reparação. Dai você pode pensar: Mais minha bomba nunca deu problema, por que a sua daria? Cada caso é um caso, tenho que pensar nas mais diversas possibilidades... O vendedor me propôs uma garantia "entre nós":

Se a SIC der problema até 31/12/2012, você me devolve a bomba e eu te devolvo 100% do dinheiro. 
Se a SIC der problema até 31/12/2013, você me devolve a bomba e eu te devolvo   50% do dinheiro. 
Se a SIC der problema até 31/12/2014, você me devolve a bomba e eu te devolvo   25% do dinheiro.
depois desta data a SIC é 100% sua e eu não me responsabilizo por problemas.
Diante do Problema número 3, isso estava se tornando apenas um detalhe.
-Problema número 6:A bomba saiu do mercado há 04 anos. Este para mim não é um problema, mesmo ela sendo sem as tecnologias das atuais não me importava, o importante para mim era funcionar, e isso de fato ela fazia. Mais fui alertada enquanto a isso.
-Problema número 7:Com exceção de 11 reservatórios, os demais insumos estavam vencidos  minha médica  enfaticamente me proibiu de utilizá-los, disse que a data de vencimento deve ser obedecida, pois a esterilização do produto estava vencida, o que para os usuários de bomba é arriscado uma vez que este é um produto que passa mais de  24 horas na pele.

Toda esta loucura no decorrer com dias estavam "me matando", elevando minhas glicemias. Foi estresse total!

Avaliando esta situação,cheguei a conclusão que: A bomba para minha saude é mais que notório que é ótima, porém com os transtornos em questão, poderia ter  posteriormente tantas dores de cabeça que é preferível esperar o Estado bater seu último martelo, e se este for um NÃO,tudo bem, entro agora com uma ação contra o município.
Gostaria de deixar claro que esta foi minha experiência, e que serviu apenas para levá-los a reflexão. Cada caso é um caso e você dentro da situação é quem deve avaliar.
Abraços,
Kath.

2 comentários:

  1. Interessante saber sobre esse caso. Dei uma pesquisada rápida e parece que repassar bombas usadas é muito comum fora do Brasil. Existem diversas à venda em sites americanos e, aparentemente, os fabricantes oferecem o serviço de transferência de propriedade.

    Vou pesquisar mais sobre isso por aqui.

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  2. Bomba de insulina não é como um carro usado que você leva ao seu mecânico de confiança e ele te diz pra comprar ou não (e mesmo que ele te diga para comprar poderá fundir o motor na sua mão). A bomba é um computadorzinho, um equipamento que depende muito de como foi usado, armazenado e por ai vai. Como qualquer outro equipamento, a empresa que vende não dá mais garantia. Pior é comprar um produto que já saiu de garantia e ainda mais parou de ser fabricado. É muito risco. Nos EUA se vende de TUDO usado mas como aqui, os fabricantes não dão garanti nenhuma. Não existe esta história de "transferência de propriedade" pois a legislação lá é muito mais rígida e o FDA responsabiliza as empresas pela rastreabilidade dos produtos vendidos. Não entre nesta barca furada. Comprar um produto para saúde que já foi usado só é bom para quem vende...

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