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Carol, um doce desde sempre

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Pessoal, se tem três figuras que são as madrinhas doces do meu bebê é a Carol Freitas (http://docescontosdeumavidadoce.blogspot.com.br/), Cris Costa (http://cristianediabeticaemae.blogspot.com.br) e Luciana Menezes. Embora nossa amizade seja virtual, recebi delas muito apoio  para me tornar uma Mãe DM1.

Segue o depoimento da Carol Freitas, um exemplo de superação e disciplina.

Diabética desde 1 mês de vida, gravidez para mim sempre foi um grande tabu!!! Meus médicos nunca me desestimularam, diziam que apesar das dificuldades, das restrições eu poderia sim engravidar, era só ter alguns cuidados... Após 4 anos de casada, decidi engravidar antes dos 30 anos, fiz todos os exames necessários, acertei a glicose e fiquei esperando... A espera durou quase 01 ano e como demorou, por alguns instantes passou pela minha cabeça que por causa da diabetes eu não poderia engravidar, que meu corpo e minha saúde (digo a diabetes) não estavam preparados para levar uma gestação a diante, que eu era um fracasso incapaz de gerar uma vida. Fiquei muito mau durante toda a espera, coisas de mulher ansiosa mesmo, só rindo!!!

     Na época em que decidi engravidar eu morava no interior de Goiás, em uma cidade pequena sem muitas opções de médicos, hospitais e tratamentos. Lá não tinha endocrino, apenas clínicos que eu dava aula de diabetes para eles e uma boa ginecologista, que estava orientando até mesmo o meu tratamento da diabetes. No final de 2009, por graça divina, meu marido foi pego de surpresa e foi trazido da empresa onde trabalha de volta para Belo Horizonte.

    Com a correria da mudança simplesmente me esqueci de que menstruava e que há quase 4 meses não recebia a visitinha da dona menstruação... Comecei a ter hipoglicemias constantes, o humor variando muito, o rosto cheio de espinhas, mas não me liguei... Dia 22/12/2009, meu marido me olhou e disse: Amor, acho que você está gravida, seu corpo, seu rosto estão diferentes!!! Fiquei com aquilo na cabeça e resolvi fazer um teste de farmácia. Comprei 2: um baratinho e outro mais caro. Fiz o exame e não deu outra: positivo nos dois!!! Como não estava acreditando, corri e fiz o exame do laboratório, foram as 3h mais longas da minha vida para receber um resultado: Beta HCG 10.000.000. Eram tantos zeros que eu achava que o resultado era 1 e não conseguia acreditar que estava grávida e que SIM PODIA GERAR UMA VIDA!!!

    Foi uma correria só: Casa nova, cachorra com filhotes, Natal, conseguir marcar uma consulta médica com endocrino e ginecologista de urgência, as hipos que não davam tréguas, mas estava extremamente feliz e esse momento foi literalmente espetacular!!!

    Quando fui a ginecologista a constatação que, minha ficha só caiu quando fui até a dra Mônica, estava grávida de 14 semanas!!! Passou um filme em minha cabeça... Desde a mudança eu não estava me cuidando direito, minha glicohemoglobina tinha aumentado muito desde o último exame, como já estava com quase 4 meses de gestação a maior preocupação era com o que poderia ter acontecido com minha pequena, tive medo das sequelas que ela poderia ter sofrido pelo meu descuido... Graças a Deus, no primeiro ultrassom já foi possível verificar que estava tudo bem com a bebe e que era a minha tão sonhada menininha, que um dia até pensei que não poderia tê-la!!!

    Durante toda a gravidez tive muitas hipoglicemias, fiquei internada por 15 dias para acertar a glicose, aprendi a contar os carboidratos e junto com a insulina NPH passei a fazer uso da Novorapid. Mesmo tendo convênio médico, optei pela sugestão da minha médica, e tive uma assistência médica excelente no Hospital da Clinicas da UFMG de Belo Horizonte, fui assistida semanalmente por uma equipe de endocrinologistas, ginecologistas, nutricionistas e mais um monte de “istas”respeitados de Belo Horizonte. O meu esforço e de todos da minha família deu certo... Foi sacrificante medir a glicose 10 vezes ao dia, inclusive de madrugada, tomar insulina mais umas dez também, comer de 2h em 2h sem tréguas, mas o mais importante que a evolução da gravidez foi perfeita e minha pequena veio ao mundo, conforme programação dos médicos no dia 12/06/2010, através do parto cesariana!!!
    A Isabella nasceu perfeita, linda, tamanho e peso normais, com uma pequena hipoglicemia que foi rapidamente corrigida e que nunca mais voltou. Ela ficou 5 sacrificantes dias internada porque nasceu com icterícia, mas não estava ligado ao diabetes. Meu pós-parto foi tranquilo, a cicatrização normal, as glicoses voltaram ao normal e as hipos sumiram. Dizem que durante a amamentação é comum a mamãe diabética ter hipos, mas a Isabella não quis amamentar no peito, uma pena, pois eu queria muito que ela tivesse mamado no peito pelo menos por 6 meses, mas ela não quis nem um dia!!! Talvez também seja uma ajudinha divina, uma vez que eu poderia ter hipos e ter hipos não é bom...

    Hoje meus médicos não me aconselham a ter mais filhos, uns dizem que meu corpo é velho demais de diabetes, afinal nunca vivi sem ela, outros pelas sequelas da gravidez para uma mãe diabética como aceleramento da retinopatia diabética e outras patias que nos perseguem... Enfim, já fui abençoada por ser mãe de uma princesa linda, portanto acho que não vou desacatar as ordens dos meus médicos...
    Aprendi muito depois de ser mãe, sobretudo, a cuidar mais de mim e da minha saúde, afinal preciso estar bem para cuidar da minha pequena que ainda precisa integralmente de cuidados e que também já cuida de mim, vive correndo atrás de mim perguntando se já medi a “micose”, se tá tudo bem ou se já comi... É emocionante ver uma neném de 2 aninhos me cercando de cuidados!!! Dou a maior força e apoio a todas as diabéticas que querem ter filhos, nos podemos sim ter filhos, pode ser mais sacrificante, mas com alguns cuidados e atenção especial tudo dá certo como em qualquer outra mulher... Se você quer, você pode e se você mulher diabética quer ser mãe NÃO DESISTA!!!

Beijos com carinho para todas diabéticas mamães e todas que sonham em ser mamães diabéticas

Carol Freitas, esposa do Albert, mamãe da Isabella"

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