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Georgea Leal - Um doce de mãe

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Tudo começou em 1995, quando resolvi engravidar do meu segundo filho, já tinha uma menina, então com 03 anos. Sempre pensei em ter muitos filhos, pois amo crianças, mas em novembro de 1995, desenvolvi um diabetes e os médicos não recomendavam outra gestação. Fiquei muito triste, mas comecei a investigar e vi que muitas mulheres diabéticas engravidavam, claro, com controle alimentar e glicêmico. Era um sonho, eu queria e muito, então meu marido e eu decidimos, claro com o aval do médico. A primeira ginecologista que fui, me recomendou ligar as trompas e nunca mais pensar em gravidez. Fugi dali e nunca mais voltei. Até que fui a um ginecologista amigo nosso,Dr Danilo Julio Lucca,  um senhor muito lindinho, que me lembra meu pai, carinhoso, atencioso, que me explicou sobre os riscos de uma gravidez para uma diabética, mas que muitas mulheres poderiam engravidar e ter seus bebês saudáveis e elas mesmas estariam bem, mas teriam que fazer um controle glicêmico muito preciso.



Então em março de 1996, engravidei. Nossa, que felicidade, era tudo que eu mais queria, ser mãe novamente. Em agosto de 1996, com cinco meses de gestação, descobri que meu bebê tinha um problema muito sério no coração, e que corria risco de vida. Dr Ricardo, médico ultrassonografista foi bem enfático em suas palavras. " seu bebê pode não viver, preciso que vocês voltem mais tarde para confirmar o laudo e encaminhar para um ecocardiograma". meu mundo caiu! Eu nem imaginava que bebê poderia ter problema de coração. Entrei em depressão, mas segui regularmente minha dieta e consegui manter minha glicemia quase que normal. Quando fui a um exame de eco fetal, o médico me disse que se eu morasse nos EUA eu poderia tirar o meu bebê, porque ele não iria viver. Fiquei arrasada, mas continuamos na nossa busca, até que lembramos de um ex vizinho que era cardiopediatra e entramos em contato com ele, onde nos indicou a CARPE, na época era o Dr Franco Sbafh que nos atendeu e disse que realmente era sério, mas era como se fosse andar em um avião, você tem um destino, pode chegar ou não, portanto, vamos em frente na viagem. Todos os meses eu ía a CARPE fazer o eco fetal com o Dr franco e o Dr Astolfo Serra Jr que também nos acompanhavam. No sétimo mês de gestação comecei a ter contrações e como o bebê já tinha um problema sério de coração eles queriam que os outros órgãos se desenvolvessem perfeitamente. 



Tomei alguns remédios e fiquei em repouso absoluto. Deu tudo certo, marcamos o parto com o Dr Danilo e sua equipe. o bebê nasceria na Perinatal, em Laranjeiras, e iria diretamente para uma UTI, os cardiopediatras já estavam avisados e os cirurgiões cardíacos Dr José Pedro da Silva e Dr Jeffersson de sobre aviso.


Lucas nasceu muito cianótico, foi direto para a UTI, o oxigênio. Com 1 dia de vida fez o seu primeiro cateterismo na Clínica São Vicente, com o Dr Chamié, e com 3 dias de vida sua primeira cirurgia cardíaca chamada Blalock, essa cirurgia foi lateral. Lucas nasceu com Hipoplasia Ventricular Direita, CIA,CIV, Atresia pulmonar, Destrocardia. Era previsto ficar até final de janeiro no hospital, mas graças ao bom Deus, teve alta no dia 24 de dezembro, passando o natal em casa conosco. Aos 8 meses mais um Cateterismo e aos 11 meses  a cirurgia de Glenn.

 
Essa cirurgia foi bem complicada, Lucas teve reação, os médicos pensavam em reverter a cirurgia, até que graças a Deus, foi evoluindo. Aos poucos foi melhorando , mas ainda continuava bem inchado.

Durante esse período foi fazendo acompanhamento com o cardiopediatra, fazendo alguns exames complementares (angioressonância, ecocardiorama transesofágico) e cateterismo, até que aos 12 anos teve a indicação da Fontan.

Em fevereiro de 2009 fez um cateterismo para fechar algumas colaterais e no dia 07 de abril de 2009 a cirurgia de Fontan. No dia 09 de abril voltou ao centro cirurgico, porque o cateter atrial ficou preso no osso, mas ao contrário de tudo e graças a Deus,  Lucas teve uma excelente recuperação, inclusive voltando para a escola bem antes do previsto pelo protocolo médico.

Hoje, Lucas está com 15 anos, é muito inteligente, amigo, cursa o ensino médio e procura levar uma vida normal. Toma alguns remédios. Está com pressão alta pulmonar, tem uma ampla CIV e insuficiência pulmonar. fez um ecocardiograma transesofágico e estamos aguardando um parecer médico. mas é um vitorioso por tudo que passou em sua vida. Tenho muito orgulho de ser sua mãe.

Fonte: http://geleal.blogspot.com.br/2012/05/historia-do-lucas-comecou-em-1995.html


3 comentários:

  1. E tem gente reclamando da vida...Parabéns Lucas!

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  2. obrigada pelo carinho Kath, espero ajudar algumas mãezinhas com a minha história. Bjs Georgea leal

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  3. Nossa que vitória, fiquei feliz por ler o relato da mamãe do Lucas!!
    Mais uma vez falo o meu filho só tem diabetes..
    Parabéns pela linda vivência..
    Um beijo

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