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Eu, marido de uma diabética

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Um ano, 12 meses se passaram desde o primeiro post que fiz aqui, confesso que não gosto de escrever, tão pouco de me expor, Kath é oposto de mim...

Dou apoio ao blog dela, apoio de não criticar, de dar ânimo, mas não sou participativo, sei que ele ajuda muitas pessoas, mas deve ser aquele ditado né? Santo de casa ñ faz milagre.

Enfim, como prometi que escreveria aqui em algum momento novamente cá estou.

Convivi com uma mulher não diabética, confesso que a vida era um pouco mais fácil, sem hipos, hipers,exames,médicos e sem a piração de hemoglobina glicada... Até que depois de 5 anos juntos a Diabetes veio e mudou nossas vidas. Tivemos que aprender a reviver, não por que o DM limita mais por que simplesmente não dá pra negar que certas coisas mudam. 

Passei a preocupar com a alimentação da Kath, se ela mediu ou não a glicemia, se foi ao médico, o que o médico disse, se ta com hipo, hipers... Enfim, não posso negar que nossas vidas mudaram, vi os 2 lados da moeda, o de ter uma esposa sem Diabetes e de ter agora uma esposa DM e saber que agora nossa vida será assim.

Tem hora que ainda me desespero, ao vê-la “presa” á tantas regras, ela pode encarar tudo numa boa, eu ainda não consigo, não sou conformado. Sabe quando uma pessoa anseia que algo sobrenatural aconteça? Este sou! Queria mesmo de verdade que minha fé alcançasse um “milagre” pra ela. Quem sabe um dia aconteça, enquanto não ocorre fico aqui com estes meus pensamentos. Poderia ilustrar as mil maravilhas, mas pra mim não é, confesso que  acho a vida de um diabético de total superação todos os dias.

Como disse no outro post: Enfim, sou casado com uma diabética, que me faz muito feliz, discutimos nos desentendemos como todo o casal, mais me orgulho da esposa que tenho. Sem hipocrisia.

A gestação dela foi muito querida, desejada, demos o nosso melhor durante todo este período,fiz questão de estar com ela em todos os exames e consultas, brinco que posso ser um consultor das grávidas diabéticas, passei a entender todos os termos da doença e alguns da gestação. Sei que este é um momento que muda toda a vida de uma mulher, mas confesso que não foi fácil. Ela fazia mais de 10 medições, contava carboidratos, caminhava, ás segundas estava na obstetra, quartas na endócrino, sextas quando tinha exames estávamos no laboratório, ela ficava observando tudo o que comia por conta das glicemias, se ia ou não subir, até que eu a achava tranqüila, eu que só estava na retaguarda ás vezes surtava com tantos controles,ainda mais que Kath é extremamente perfeccionista.

Se ela apenas se mexesse na cama de madrugada eu dava um pulo corria e pegava o glicosímetro...Gente eu pirei!Estou falando isso por que foi minha experiência e não pra desanimar ninguém.

Até o sexto mês eram apenas consultas comuns no pré-natal e endócrino,até que ela teve contração e dilatação precoce, teve que fazer repouso e tomar medicamentos, brigávamos por conta do blog, eu queria que ela parasse com este propósito de relatar a gestação aqui e relaxasse mais, mas não tinha jeito, as médicas chamavam a atenção dela e no outro dia ela estava colada no computador.

Quando a obstetra deu uma liberada, fizemos um ecocardiograma fetal que acusou uma alteração no coração do Davi, daí foi outro estresse, dias sem dormir e chorando, decidimos que viveríamos aquilo sozinhos sem dizer á ninguém, fizemos mais 2 exames, e com o apoio de uma ótima especialista que a obstetra indicou, vimos que o Davi teria um pequeno problema mais não sabíamos qual, tínhamos que esperar o nascimento.

As glicemias até que foram ficando numa boa, ela usou seringa e caneta até vir a bomba , confesso que depois dela passei a dormir, morria de medo dela ter uma hipo noturna e não voltar, o sensor nos salvava.

Daí veio o colestrol,tireóide,hipertensão alterados... Deus do Céu! Mais esta?

Eu estava ficando doido,sem exageros, morria de medo de perder minha mulher e filho. Ela lia muito sobre gravidez e diabetes, tinha amizade com mães diabéticas,conversava com os profissionais, porém tem coisas que a gente sente que independe de tudo isso, as vivências e experiências dos outros nos ajudam,mais cada um é cada um.  Cada história de superação a encorajava,isto era bom,bom de verdade, só que não vou levantar a bandeira e dizer que tudo são flores por que não é não, gravidez e diabetes exige muito da gente, psicologicamente, financeiramente e fisicamente... Eu conheci meus limites na gestação da Kath.



Davi nasceu, vi meu filho sair da barriga da mãe e ficou 9 dias na UTI... Sabia que era o melhor pra ele, mais doeu muito vê-lo ali.Teve dificuldades pra respirar e seu coração precisou ser observado.

Depois que o Davi chegou meu foco mudou, confesso que “tirei férias” da diabetes da Kath, eu precisava disso, parei de perguntar das medições, exames e etc. Me preocupava mesmo com as hipos na amamentação, mais por medo de algo acontecer com o Davi durante este momento. Meu foco era ele,ela me cobrava atenção e eu sabia que poderia dar, porém queria “férias”. Quando ela tinha hipo me dei o direito de surtar. De novo aquele corre-corre com açúcar, com o aparelho de medir. Socorro! Sabia que não era culpa dela, mas queria meu espaço por um momento. Queria minha vida sem diabetes um pouco.

Passei a me culpar por isso, eu era a única pessoa que ela tinha, a família dela é alheia á esta situação, a minha é leiga, era justo ela sofrer sozinha? Não! Depois de alguns meses fui voltando á órbita e aos poucos me reinteressando, perguntando de tinha feito as medições, como estava a bendita glicada...Mas as hipos ainda me incomodavam, tentava me segurar,mas ás vezes não conseguia e  discutíamos.


Era casa pra ela cuidar, bebê, diabetes, médicos,exames,família, confesso que em alguns momentos tive dó dela, então passei a ser mais participativo. Vitoria mudou muito, passou a dar menos trabalho e isso nos ajudou muito, tivemos que nos reorganizar. Davi foi um bebê extremamente chorão, melhorou muito de uns meses pra cá, ela não dormia, estava sempre exausta, mais não largava o computador. Ai meu Deus! Tinha que brigar com ela, cansei de perguntar pra ela quantas diabéticas faziam aquilo que ela fazia, numa correria com casa,bebe pequeno,diabetes e o momento que tinha pra descansar não saia da internet por conta de um firme propósito em ajudar outras diabéticas, ela mesmo via que com filhos pequenos e diabetes as amigas sumiam,mas ela queria estar lá.


Hoje o Davi não é mais chorão, está na época de descobrir as coisas, Vitória não tem ciúmes é participativa, eu sou um pai presente e também dono de casa, Kath voltou a trabalhar se envolveu em projetos sobre diabetes e para que não brigássemos mais criamos limites para isso. Me reorganizei e voltei a ser participativo na questão Kath e diabetes, e é de verdade que participo.

Queremos um outro filho pra daqui alguns anos,queremos curtir mais o Davi e também descansarmos de tantas idas aos médicos,espero não ter nenhuma surpresa antes de 5 anos rsrsr

Gravidez e diabetes é possível sim, somos provas disso,só que temos que nos dedicar,se preocupar, ter médicos capacitados.Acho que a Kath fala isso melhor que eu, não vou me estender mais.

Enfim é isso.






2 comentários:

  1. Realmente ser marido desta mocinha não deve ser muito fácil mesmo, mas tenha certeza que o amor supera tudo. Quem tem diabetes esta sujeito aos altos e baixos da glicemia a todo momento, nenhum dia é igual ao outro, e não tem como não ter stress diário com a vida tão atribulada como a Kath. Mas tenha a certeza que ela ajuda muita gente que não tem o conhecimento que ela tem. Parabéns pelo depoimento!

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  2. Nossa! Li e fiquei me perguntando se meu namorado se sente quase que dessa forma tbm... Estamos juntos há 8 anos e quando nos conhecemos eu não era diabética. Sim, tudo era mais fácil. Infelizmente, nós que temos DM não podemos tirar férias de insulinas, glicemias, hipos, hipers, exames, enfim.
    Felicidades para vocês!

    http://soudoce.blogspot.com/

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