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Carla, DM há 15 anos e grávida do Luka

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Mais um depoimento de uma grávida diabética usuária de bomba. Ela é coordenadora do um grupo de jovens na ADJ,monitora do acampamento ADJ Unisfesp e fez parte da diretoria jovem na ADJ e presta alguns trabalhos voluntários. Boa leitura!

"Meu nome é Carla, tenho 30 anos e DM1 desde os 15, me casei com 27 anos e perto dos 30 a cobrança para ter um bebe era muita, desde as amigas, família e também minha medica endocrinologista que dizia que com DM1 á 15 anos já era a hora de engravidar.
Não sei com vocês, mas eu senti que aquela era a hora, não podia ver um bebe que dizia que queria um... rsrs Decisão tomada, vamos ter um bebe, até então meu tratamento da Diabetes era com Lanthus e humalog/contagem de carboidrato e corrida, o que sempre me ajudou muito no controle do diabetes. 
Apesar de não termos informações sobre gravidez x diabetes, sabia que o melhor tratamento seria a bomba de insulina, entrei com processo administrativo e em menos de 2 meses eu já estava com a bomba, além de procurar a ginecologista para fazer todos os exames necessários para engravidar, após 4 meses e já adaptada ao tratamento da bomba eu e meu marido resolvemos começar a tentar nosso bebe, fiquei 3 meses sem menstruar e fazendo testes e mais testes, sempre negativos, até descobrir que eu estava tomando remédio da tiroide numa dose maior que a receitada pela minha médica, com a tiroide descompensada não há menstruação e consequentemente não há gravidez, mas foi só controlar a tiroide e pronto, resultado positivo, estávamos grávidos, fiz o teste de farmácia no dia do aniversário do meu marido e foi seu melhor presente de aniversário: um sapatinho de bebe e a melhor notícia que poderíamos ter.



Avisei a GO a endócrino e conversei com uma amiga nutricionista também DM1 e usuária de bomba que me ajudou muito, me deu varias dicas e direção da melhor alimentação. 
A pedido da endócrino, GO e nutricionista comecei a marcar todas as glicemias, horários e atividades ou alimentações diferentes do normal (afinal ninguém é de ferro) e no inicio da gestação enviava para elas toda semana e analisamos os horário que haviam picos de hipo ou hiper e ajustávamos as doses da basal na bomba, foi muito importante tê-las me orientando.
No inicio é assustador, as glicemias altas e baixas, picos sem motivos muito claros, as mudanças do corpo, do humor, as vontades, as limitações (não poder fazer atividade física/correr ou passear de moto com meu marido), a ansiedade de contar para todos e não poder sair gritando para o mundo inteiro que você está grávida e muito feliz (por recomendações médicas), é tudo novo, diferente, estranho, ou melhor: desconhecido, mas é a sensação mais maravilhosa do mundo, saber que há uma pessoinha crescendo dentro de você e saber que sua saúde e desenvolvimento dependem única e exclusivamente de você é assustador, um misto de sensações, medo, orgulho por estar conseguindo dar o melhor de si e ver os resultados dos exames sempre muito bons."


Conversei com amigas que tem filhos, algumas com DM e outras não e foram as melhores dicas e aprendizados que eu pude ter, afinal é na prática que aprendemos.
Hoje estou com 36 semanas e contando os dias para o meu bebe estar em meus braços, só sei pensar no rostinho dele... minha vida irá mudar totalmente, terei uma pessoinha totalmente dependente de mim, por algum tempo ou pela vida inteira... não sei, deixarei de fazer algumas coisas que gostava de fazer (ou não), não sei o que me espera, apesar de ter a certeza que será a melhor coisa que poderia ter me acontecido na vida o misto de sentimentos medo e ansiedade me consomem, sei que dará tudo certo, mas só consigo pensar que: “não será como um casamento, que se não der certo separamos (não que eu já tenha pensado nisso, meu marido é o amor da minha vida, desta e de outras vidas, tenho certeza)... é um filho e não terá volta, esta feito”... rsrs
Enfim, a única coisa que tenho a dizer a todas as mulheres que pretendem ter um filho, portadoras de diabetes ou não: Realize este sonho, são os (quase) 9 meses mais demorados de nossas vidas e o que virá depois?!!? Basta olhar para uma criança que saberemos ou melhor sentiremos o quão vale a pena.

Um comentário:

  1. Boa tarde! Meu namorado é diabético e está desenvolvendo um projeto muito interessante na Universidade Federal do ABC, onde ele estuda engenharia, e este projeto visa contribuir com o desenvolvimento tecnológico em prol do bem estar do diabético com melhorias no tratamento, incentivando colegas e professores doutores a pesquisar e dar continuidade no desenvolvimento de tecnologias que já estão em estudo na UFABC.
    Então se você é portador do Diabetes Mellitus tipo 1 e residente no estado de São Paulo, peço que invista menos de 5 minutos para responder esse questionário, ou por gentileza compartilhe no seu blog, se possível.

    Obrigada.

    https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?fromEmail=true&formkey=dGNPanFfY0JzR2tRWTFhSGtwWlVFeHc6MA

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