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Minha doce Helena

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Sou a Patrícia, tenho 37 anos, sou diabética há 24 anos. Sou professora. Faço uso das insulinas Lantus e Apidra, com contagem de carboidratos. Minha última hemoglobina 6.4(realizada no dia 25/03/2014).
Minha gravidez não foi planejada, foi um acidente de percurso. Tinha recém começado a universidade (meu curso iniciou no segundo semestre de 2007).

Nos três primeiros meses eu não sabia que estava grávida. Cheguei a tomar a vacina da varíola, pois havia uma epidemia na cidade.

Com três meses de gestação, procurei uma ginecologista do Hospital de Guarnição, pois o meu parceiro disse que eu estava comendo demais. Ela pediu exames de sangue e um ultrassom. Quando levei o resultado para ela, ela já sabia o diagnóstico, pois o médico que realizou o exame ultrassonográfico, era o seu marido.

Ela me alertou que seria uma gravidez de risco devido ao fato de eu ter diabetes há sete anos e que eu deveria acompanhar no Hospital Universitário(H.U.), pois se precisasse de mais acompanhamento durante o parto, lá eles teriam a equipe completa, com ginecologista obstétrico, pediatra, endocrinologista, e no hospital particular eu não teria todo este acompanhamento.



Fiz o acompanhamento do resto da gestação no H.U. e quando precisava fazer alguma exame específico, a médica do outro hospital solicitava. Foi com sete meses que esta médica pediu um ultrassom, que fiz com seu marido Dr Elton e foi detectado uma pequena boceladura occiptal (um pedaço de cérebro que fica para fora da cabeça) na  minha bebê.

O médico pediu para eu levar para o H.U. para fazer acompanhamento lá. Procurou não me assustar muito. Fiquei muito chateada, chorei, pois Helena era minha primeira filha. Ao mesmo tempo, procurei me acalmar para não passar meu nervosismo para minha filha. Rezei muito.

Passei a fazer ultrassom a cada quinze dias para acompanhar o crescimento da cabeça da minha bebê. Além da boceladura, foi detectado hidrocefalia (excesso de água na cabeça).

Me afastei do trabalho, e me dediquei para cuidar da minha saúde e do bem estar da minha pequena. Antes de eu descobrir que estava grávida, ou seja, nos três primeiros meses minha hemoglobina era 8, durante o resto da gestação consegui 5.6. Passei fome no final da gestação, pois segui a mesma dieta do começo ao fim. Não quis fazer múltiplas doses de insulina, porque eu era boba. A dosagem de insulina foi aumentada (usava a NPH e a insulina Rápida distribuída no posto de saúde).

No final da gestação, minha glicemia começou a aumentar, então foi marcada a cesárea. Tinha já sete dedos de dilatação, mas não poderia ter parto normal (meu sonho). Fui ao hospital e o médico sugeriu que eu fizesse a internação naquele dia. Pedi para ir no dia imediato, pois não queria dormir longe da minha casa, uma vez que nos dias seguintes teria que dormir no hospital.

No dia imediato, bem cedo uma amiga me levou ao Hospital Universitário. Internei e ás 13:30 entrei na sala de parto. Aplicaram a anestesia e ás 14:30h nasceu minha pequena Helena, com 38 semanas e cinco dias. Ganhou apgar 9 e em seguida 10, isto significa que ela nasceu bem.



Ela ficou em observação para averiguarem a glicemia e eu num quarto coletivo. Com dois dias, veio um neuropediatra examinar a cabecinha dela. Disse que precisava ir para o Hospital Infantil para fazer exames.

Consegui alta, e fui atrás dela. Ficou internada durante quinze dias, fez os exames, recebeu alta.
Com um mês e uma semana, foi internada para realizar a primeira cirurgia, com um mês  para colocar uma válvula na cabeça, com duas semanas fez a segunda cirurgia, para corrigir o pedaço do cérebro que nasceu pra fora da cabeça. Isso aconteceu devido à falta de uma vitamina: ácido fólico. Com nove meses a válvula(D.V.P) obstruiu, então fez nova cirurgia. Com um anos, cirurgia para correção oftalmológica, pois tinha estrabismo. Com quatro anos, fez a cirurgia para retirar a adenoide, pois não respirava direito.
Nada dos problemas que Helena apresentou foi sequela da diabetes.

O nome da minha filha foi escolhido em homenagem à minha madrinha. Helena foi amamentada no peito até os três anos e dez meses.

Tirando os percalços, minha gestação foi MARAVILHOSA, me senti muito bem, aliás, por mim passaria eternamente grávida de tão bem que me senti.


 Desejo ter outro filho, mas os médicos que consultei disseram que não deveria, pois existe o risco de ter pressão alta (tenho pressão baixa e nenhuma sequela do diabetes).

Andei lendo o relato de várias diabéticas, sobre a dificuldade de manter o controle da diabetes para engravidar e durante a gestação. Não acredito que isso seja impedimento, devido a experiência que passei.

Mesmo sabendo que cada gravidez é diferente da outra, acredito que se for para você ter seu bebê a VIDA se encarrega de acertar as coisas no seu devido lugar. Tive ajuda Divina e dos meus amigos espirituais.

 Passamos pelas experiências necessárias para nosso crescimento e aprendizagem (eu e Helena hoje com quinze anos).

Desejo para todas que queiram ter filhos, que cuidem da saúde, e coloquem a vida do bebê em primeiro lugar (foi o que fiz e deu certo). Abraços, Patrícia.

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