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Miguel, o anjo planejado e abençoado da minha vida

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Já estou a séculos tentando escrever para o blog da Kath, mas a correria é tanta que eu só fui adiando, mas hoje resolvi parar um pouquinho e relembrar um pouco da minha história.


Tive uma gestação bem tranquila, consegui manter minha glicemia boa, o máximo que chegou foi 200 e isso já no final da gestação, cada vez que eu media a glicemia e via que estava dentro do normal era um alivio, mas quando eu via ela acima de 170 ficava bem preocupada, me sentindo culpada, mas eu tinha que me tranquilizar para que não piorasse.

Foram-se passando os meses, eu realizava os exames, e estava tudo ok comigo e com meu bebê.

Acesse meu depoimento quando grávida neste link: http://diabetesevoce.blogspot.com.br/2013/10/fernanda-ainda-gestante-mas-cheia-de.html

Fernanda grávida.

Na minha ultima consulta de pré- natal, minha médica me perguntou que parto eu queria realizar, cesárea ou normal, por ela e por meu endócrino eu poderia passar por qualquer um dos dois, mas pesando os prós e contras, eu acabei optando pela cesárea por conta da diabetes, eu pensava muito na questão da hipo, medo de na hora do parto a glicemia cair e sei lá, acontecer algo de ruim, bom optei pela cesárea e marcamos, para o dia 22 de janeiro, mas depois a minha médica acabou antecipando um dia.

Eu fui para a maternidade bem tranquila, lógico que um pouco tensa, pois é normal quando não conhecemos determinado procedimento que vamos realizar, bom marquei a cesárea para as 11 da manhã, eu queria mais cedo, mas a médica não poderia.

Cheguei no hospital antes das 10 da manhã, cheia de ansiedade, fui para o quarto, me mandaram vestir a roupa, e as 11 da manhã já se aproximava, até que me avisaram que a médica iria atrasar, pronto, notícia que já me preocupou, pois eu estava em jejum e já sabem qual o resultado né, a dona "hipoglicemia".

Meu endócrino me disse que caso eu tivesse uma hipo ou notasse que poderia baixar, era para eu chupar uma balinha, pois isso não faria mal, deu 13 horas, eu já estava com a glicemia 80 e pensei, minha glicose não vai aguentar mais.

Uma enfermeira chefe veio até o quarto e disse que o centro obstétrico estava com problemas e que iria atrasar, eu fui ficando cada vez mais nervosa, até que insisti para que alguém me desse algo para manter minha glicemia estabilizada, pois se caísse eu não poderia realizar o procedimento, acabaram colocando algo que manteve minha glicemia estável, não me recordo o que foi.

Lembro como se fosse ontem, eu já estava com muita fome e até tonta, eu e meu marido já estávamos bem tensos com a espera,  meu marido resolveu ir até a recepção tomar um ar, ai bem nessa hora foram me buscar, pense no meu nervoso e medo de ir para a sala sozinha, minha mãe se ofereceu, mas como era um momento para eu e o meu marido passarmos juntos,  eu disse a ela para chamar ele, pois ele esta mais acostumado com minhas glicemias, pois me tornei diabética assim que casei, então eu me sentiria mais segura caso tivesse uma hipo, mas se não achasse ele era para entrar comigo.

Fui para a sala de parto, fiquei ali uma hora deitada naquela maca minuscula já com dores pela posição  e preocupada, com medo, ansiosa, um misto de sentimentos.

Chamaram meu marido bem em cima da hora, ele saiu tão disparado que deixou tudo para trás, celular, câmera ( e eu preparei tudo bonitinho, recarreguei as pilhas da máquina) já deixei preparado para que ele levasse para registrar o momento.

Com a correria ele acabou não pegando as coisas, foi pra sala já preocupado.

Lembro que me deram a anestesia, e logo minhas pernas foram adormecendo, esquentando, algo esquisito, seu sabia que estavam ali, mas não consegui mexer,  começaram a cesárea e escutei o chorinho e logo minhas lágrimas rolaram, a médica disse para o meu marido chegar mais perto para ver, tirar as fotos, mas como eu já disse na pressa ele saiu sem pegar nada.

Colocaram o meu bebê próximo de mim, era tão gordinho e cabeludo, ai que alegria quando ouvi o chorinho dele, tenho todo esse momento gravado bem minha memória, disseram que estava tudo bem com ele, fizeram os procedimentos e disseram que logo ele estaria no quarto, fiquei muito feliz por isso.

Fui para a sala de pós parto, estava ansiosa para ir para o quarto, até ai eu estava bem, mas comecei a me preocupar com a glicemia e perguntar se não iriam medir, a enfermeira disse que não podia, pois a médica não deixou prescrito, então eu disse então peça a alguém para pegar minhas coisas que eu mesma faço isso, ai acabaram me levando para o quarto.

Eu ainda estava meio mole, mas pudi ficar medindo a glicemia, chegou a notícia que me deixou mal, que o Miguel não iria para o quarto, pois teve um problema respiratório e teria que ficar na uti neonatal, isso doeu, pois eu me cuidei para que ele não precisasse passar por isso, eu estava ciente de que poderia acontecer, já que tenho DM1, mas foi difícil aceitar.

O Miguel nasceu as 18:15 do dia 21/01/2014, as horas foram passando e eu ficando mal, vomitava muito, mas disseram que não poderiam me dar nada para comer, só pela meia noite que me deram umas bolachinhas.

Me disseram que quando eu melhorasse e conseguisse tomar um banho e comer algo, eu iria ver meu bebê, depois como eu não melhorei me disseram, dorme um pouco, descansa ai pela manhã você vai.

Fui vê-lo por volta das 8 da manhã, não pude pega-lo nem no colo, foram-se passando as horas e estava chegando  próximo do momento em que eu teria alta, e eu tensa pois falaram que ele ficaria.

Voltei pra casa mal, por deixar aquele ser indefeso sozinho, eu fui visitá-lo todos os dias pela manhã e a noite e podia ficar só meia hora na sala, que coisa mais injusta para uma mãe, ter que ter hora pra poder ficar vendo seu bebê.

Tinha dias que eu saia de lá em prantos, pois ele chorava e eu não podia acalmá-lo, só podia passar a mão nele, mas parece que não resolvia, ele abria os olhinhos e parecia querer sair de lá, parecia estar pedindo colo.

Tive que ser forte, uma hora eu chegava lá e tinhas boas notícias, na outra eu chegava e o quadro tinha piorado, foi a semana mais longa e ruim da minha vida, até que chegou a notícia de que ele iria ter alta, depois de 7 dias pude ser mãe de verdade, pude amamentar, trocar, sentir o cheirinho.

Quando lembro dessas coisas que vivi na uti neonatal, me enche os olhos de lágrima, mas ai olho para o meu pequeno, para a razão da minha vida e toda essa tristeza some.
Ele nasceu com 3.595kg e 47cm, saiu de lá com 3.260kg.

Meu pós parto foi muito bom (era uma das minhas maiores preocupações), na primeira semana foi meio difícil porque eu não pude repousar tanto, eu tinha que ir ao hospital duas vezes ao dia para visitar meu pequeno guerreiro, mesmo tendo quem me levasse de carro não era fácil, pois cada sacudida que o carro fazia, doía por dentro, qualquer movimento brusco era difícil, mas depois dessa primeira semana as dores já deram uma melhorada, não tive nenhum problema com a cicatrização!

Amamentação era algo que  me preocupava, queria muito amamentar, mas  morria de medo de estar amamentando e ter hipo.


Bom, logo que comecei amamentar, tive apenas uma hipo de 37, mas por esquecimento meu, eu tomei insulina rápida quando fiz um lanche, e amamentar acaba já funcionando como uma insulina,  bom depois disso eu nunca mais tive hipo, nos primeiros meses eu fiquei sem tomar a insulina rápida, por conta dos hormônios que ainda estavam se regularizando, e com o passar do tempo fui aumentando a dosagem, hoje costumo tomar umas 5 unidades nas refeições, pra que ela se mantenha normal, pois meu medo de ter hipo estava me deixando com a glicose sempre alta, eu comia e não aplicava insulina, pra que ela subisse e eu estivesse preparada para amamentar a qualquer hora, mas com o passar dos dias aprendi, para eu amamentar e não ter uma hipo, eu deixo a glicose  em torno de 160, mas se ela esta 90 eu chupo uma bala, ai dou mama e tudo fica bem, mas é só uma marca de bala que me ajuda, pois ela tem uma quantidade maior de carboidrato, outros tipos de bala eu precisaria de 6 balas de uma vez, mas essa não, eu já carrego na bolsa do Miguel, ai vou dar mama e chupo a bala, e depois a minha glicose fica normal, essa bala funciona para mim como um anti hipo rsrs.

Bom eu amamento a livre demanda, mas o Miguel já fez os horários dele, só mama de 2 em 2 horas, de 3 em 3 horas.

Amamentar não é tão difícil pra gente como parece, no começo eu tive uma hipo, várias hipers, mas consegui achar o ponto certo, basta termos paciência que dá certo.

Ele só mama no peito e pretendo amamentar pelo menos até ele completar 1 ano. 

Com relação ao peso, eu estava pesando 55 antes de engravidar, tenho 1.61 de altura, o peso estava dentro do normal, mas eu queria uns 3 a menos rsrs, bom até os 7 meses eu engordei o normal, mas fui inchando e o peso só aumentando, meu médico me mandava praticamente retirar o sal da comida, bom sei que devo ter engordado no total quase 20kg, pois uns 15 dias antes do meu parto eu já tinha engordado uns 17kg.

Bom nos primeiros dias meu peso foi caindo bem lentamente, pois o Miguel mamava pouco, mas depois de uns 15 dias ele já começou a ficar mais acordado e mamando bem, ai fui perdendo 1 por semana, a dias atrás me pesei e ainda tenho 5 kg extras
ou seja, na última vez que me pesei estava com 60kg.

Quando  ele mama pouco fica tudo bem, mas quando ele suga bem me da uma fome terrível, ai acabo beliscando, acho que por isso tem sido difícil eliminar esse restante, estou tentando segurar a boca, passando um pouco de fome, como o normal, ai quando ele mama bem e me da aquela fome parei de beliscar pra ver se isso ajuda, pretendo voltar a dar uma pedalada na bicicleta ergométrica, mas com casa, trabalho(trabalho em casa, tenho um blog/ canal no youtube), filho, marido não tem sido fácil achar um tempo para a bicicleta, mas preciso me organizar melhor, nunca tive um corpo malhado, mas  pelo menos no meu peso ideal quero chegar.

Dizem que não devemos nos preocupar durante 1 ano, pois é o tempo que o nosso corpo e organismo demora para voltar ao normal, meu médico diz para aproveitar a amamentação para ajudar também a conseguir recuperar logo o peso, bom o Miguel faz 4 meses dia 21, então acho que posso me acalmar um pouco com relação ao peso, não ficar tão neurótica, pois ansiedade demais também da fome né rsrs.

Hoje ele esta aqui  cheio de saúde e perfeitinho,  verdadeiro presente de Deus na minha vida, enchendo a minha família de felicidade, cada sorriso que ele me dá eu me emociono,  não tenho nem palavras para descrever o que sinto.




Para as Dms que estão em busca desse sonho de ser mãe, não desistam, se cuidem ao máximo, dê o melhor de si, pois nós podemos!

Ah, não posso deixar de agradecer a Kath, pois no fim da minha gestação, eu estava sem tiras para medir pois estava em falta no local onde me forneciam, e ela gentilmente me cedeu as dela, eu estava bem estressada e preocupada por não poder medir certinho, mas com a doação dela pude medir certinho nos meus últimos dias de gestação e ficar com o coração mais tranquilo.

Desculpem o texto longo, tentei resumir tudo que vivi nesses dias...para quem esta gravidinha que de tudo certo, e pra quem esta tentando, que Deus lhes mande o tão sonhado positivo.

Fiquem com Deus.
Beijos meus e do Miguel.

2 comentários:

  1. Linda história agora te acho mais guerreira ainda, parabéns pra vc e pro Miguel <3

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  2. Que lindo Nanda ...emocionante sua força ... que Deus abençoe você e sua família ... anjo Miguel seu lindo que Deus abençoe ♥

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