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Daiany: A dor é inevitável, mas sofrimento é opcional....

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Olá, eu me chamo Daiany, tenho 25 anos, sou diabética há 16 anos e venho aqui dividir um pouco da minha história com vocês. Tudo começou em 1998, exatamente dia 11 de março ( dia do meu aniversário), descobri que eu acabará de entrar para o grupo de crianças DM1. Eu tinha apenas 9 anos e nunca tinha ouvido falar em diabetes. Para a minha família foi um grande choque, todos assustados, perdidos, pq afinal oq seria DIABETES???? Rsrs, pra mim não fazia diferença, eu era criança e aquilo já ia passar, eu tava doente e precisava tomar uma medicação ate melhorar... enfim, os anos se passaram, eu finalmente entendi que essa doença não iria melhorar, seria uma companhia fiel, porem nada desejada. Tive uma adolescência difícil, revoltada, comia doces e mais doces escondidos...Eu não aceitava ser a única diferente no meio dos meus amigos. Precisei de ajuda. Superei. Aos 18 anos eu me casei. Estava completamente feliz, eu sempre quis me casar e ter a minha família! O desejo de ser mãe sempre fez parte de mim! Meu marido sempre quis ser pai também, super me apoiava, apesar de conhecer os riscos que eu e o bebe corríamos, ele nunca me desmotivou. Passados 2 anos de casados - eu nunca havia tomado anticoncepcional- a gravidez não chegava. Já estávamos desmotivados e tristes com a situação e resolvemos “desencanar” da ideia de ter um bebe naquele momento.... 4 meses depois descobri que estávamos grávidos! Foi uma gravidez “tranquila”, uma coisa nova pra todos nós, ajusta insulina daqui, ajusta dali e assim fui levando. Quando eu engravidei dele, eu havia acabado de sair de uma forte depressão, onde eu tinha emagrecido 20 kg e minha glicada não estava legal!! Um dos motivos da depressão tinha sido o fato de eu não conseguir engravidar, fiquei muito revoltada e triste, não imaginava que fosse conseguir realizar meu sonho. Com 15 semanas descobrimos que o Isaac estava á caminho. Meu tão sonhado bebe estava chegando! Naquele tempo, o meu plano não cobria parto, então tive que fazer meu pré natal pelo SUS. Durante a gestação consegui aos trancos e barrancos manter minha glicemia mais ou menos, é, exatamente mais ou menos, porque eu usava NPH e REGULAR e meu corpo não tinha uma boa aceitação a essa insulinas, sem contar que a minha endócrino da época era uma verdadeira porcaria, confesso que não sei como não morri, o Isaac foi um verdadeiro milagre nas nossas vidas. Com 26 semanas de gestação, nas consultas de rotina ao gineco/obstetra, descobri que estava com 2 dedos de dilatação e que era necessário um repouso absoluto, pois havia um grande risco de um parto prematuro. Seguindo os conselhos do médico, consegui levar a gestação até as 30 semanas, onde eu dilatei os 10 cm e depois de 16 horas de trabalho de parto o meu bebe nasceu de parto normal, no dia 6 de setembro de 2010, pesando 2,080kg e com 45 cm !! Gente, confesso que senti dorres horriiiiiiiiiiiiiiiiveis, mas que foi tão gratificante ver meu filho ali tao lindo e perfeito apesar da prematuridade e do meu diabetes!! A dor foi momentânea, 30 minutos após o parto eu não sentia mais nada! Como já era de se esperar, ele precisou de ficar na UTIN por causa do pulmão dele. Os médicos já tinham me avisado que bebe de diabética era quase que rotina nascer e ir pra UTIN. Isaac teve hipoglicemia, mas logo melhorou com o sorinho na veia. Os médicos me aconselharam a não engravidar mais, porem eles não conheciam a paciente na qual eles estavam lhe dando. Foram 28 dias ali naquela UTIN, aprendendo muito, experiências que carrego comigo ate hoje. Meu filho cresceu muito saudável, sem sequelas, perfeito! Quando ele estava perto de completar 2 aninhos, descobrimos que estávamos grávidos de novo. Nessa época eu já tinah trocado de endócrino e estava fazendo o uso da APIDRA e da LANTUS.Caramba, eu fiquei em estado de choque quando descobri. Eu estava desconfiada da gravidez, mas fiz o exame só pra “desencanar” mesmo sabe, nem falei pro meu marido. Quando eu fui buscar o resultado e vi aquele positivo, eu não tinha reação nenhuma, se não fosse um banco que estava atrás de mim eu tinha caído dura no chão. Fiquei alguns minutos ali naquele banco olhando pro tal POSITIVO e muito assustada, porque apesar de eu querer muito ser mãe outra vez, não era pra ser naquele momento, eu estava na metade do meu curso de direito, com um filho pequeno e eu era DIABÉTICA!!!!!! Eu não tinha feito um planejamento ...Apesar de tudo, contei pro marido que também ficou assustado,rsrsrs, mais feliz. Contamos pra família e começamos aquela velha rotina de casa/médico. Com 17 semanas descobrimos que a Sophya estava a caminho. Eu não acreditava naquilo. Eu teria um menino e uma menina!! Meu sonho!!! A gravidez da Sophya o meu diabetes estava mais controlado, eu sempre fazia meu acompanhamento e apesar do susto, estava tudo ok. Com 33,6 semanas de gestação, minha filha precisou nascer, eu estava perdendo proteína no xixi, apesar de não ter tido NENHUM episódio de hipertensão na gestação. Ela nasceu. Ela pesou 1,995 kg e 43 cm e precisou de UTIN, lá foi descoberto que ela tinha meningite e que um rim era maior que o outro. Eu nunca tinha ouvido falar que um bebe poderia nascer com meningite, mas a minha filha tinha. O estado dela era grave, mas com 15 dias de internação e antibióticos ela melhorou, o rim voltou ao normal e fomos pra casa. Minha placenta estava em analise e eu só teria o resultado depois de 4 meses de parto, onde eu poderia descobrir porque minha filha nasceu com alguns problemas e baixo peso. Com 19 dias que Sophya estava em casa, ela ficou muito doente e precisou ser internada novamente. Foi descoberta uma pneumonia grave. Ela ficou 26 dias na UTIP pediátrica de um hospital particular da minha cidade e no dia 28 de Janeiro de 2013 ela partiu com exatos 60 dias de vida. A pneumonia dela evolui para um abcesso pulmonar e sepse generalizada. A morte dela não tinha nada a ver com o meu diabetes. Com o resultado da biopsia da minha placenta eu acabei descobrindo que eu era portadora de TROMBOSE PLACENTARIA, uma doença muito comum, mais que muitas mulheres não sabem que tem. Foi ai que eu descobri porque que o Isaac tinha nascido prematuro, porque ate aquele momento era uma incógnita pra mim. Com a partida da Sophya, uma parte de mim também morreu, nada mais importava pra mim. Eu não conseguia mais controlar minha glicemia, minha vida ficou uma bagunça. Demoro muito até que eu me estabilizasse novamente. Eu não conseguia nem ir ao médico, fiquei depressiva e chorava muito... não conseguia comer... minha glicada foi as alturas... Depois que criei coragem e que Deus me deu forças, eu comecei a me reerguer, porem aceitar que a Sophya não me pertencia mais era uma tortura. Eu me sentia perdida, sem chão, sem motivação... Eu pensava: Meu Deus , porque comigo?? Logo eu que tenho tanta dificuldade pra manter uma gestação boa, logo eu que não tenho tanta saúde pra poder gerar quando quiser, porque eu? Porque?? As respostas não chegavam. Com 7 meses da partida da minha filha, estava eu la GRAVIDA DENOVO !!! Não perae, isso já é um absurdo! Eu sou diabética! Gravida 3 vezes???? Rsrs, eu não me aguentava de felicidade, não cabia dentro de mim! Uma gravides tão querida, tão esperada, havia chegado no 2º mês de tentativa! O detalhe é que eu só não engravidei no 1º mês porque meu marido ficou acamado no meu dia fértil,kkkkk. Devido a descoberta da trombose placentária, precisei fazer uso de anticoagulante a gestação inteira. Além das furadinhas da insulina, agora eu precisava tomar a furadinha do anticoagulante e também de noripurum venoso por causa da minha hemoglobina que estava 8,0 e o normal era 12 ou mais ( não estou falando da glicada). Eu continuava com o uso da apidra e da lantus. Com 15 semanas descobrimos que o Lorenzo estava a caminho. Ficamos radiantes de felicidades, eu chorava que nem um bebe... Minha gravidez foi muito tranquila, apesar de tantos cuidados e do repouso quase que absoluto, foi maravilhoso e eu faria tudo de novo! Com 34 semanas, comecei a perder a tal da proteína no xixi mais uma vez, e o mais curioso é que eu não apresentava nenhum quadro de hipertensão arterial. Meus médicos optaram por levar minha gestação ate as 36 semanas e 1 dias. Dia 14 de Março de 2014, pesando 3,680 kg e 51 cm, meu filho nasceu! Saudável! Perfeito!!! Eu venci o diabetes mais uma vez!! Meu bebe teve hipoglicemia ao nascer e precisou de UTIN por 48 horas. Quando recebi meu bebe no quarto eu não conseguia acreditar, isso nunca tinha acontecido comigo. Não era possível que a rotina UTIN/ CASA, CASA/UTIN dessa vez não iria existir!! Tivemos alta e acho que ate hoje eu não acredito que pude vir embora com meu bebe,rsrsrs!! Hoje Lorenzo esta com 68 dias de vida e esbanja saúde pra honra e glória de Deus. Ele é o Isaac são minha vida, eu vivo por eles. A Sophya me ensinou a deixar todos os meus medos pra traz, dela ficou como uma lembrança boa, de um dia bom. Um dia que não volta mais. Sinto muita saudades dela e confesso que tem dias que parece que vou morrer de tanta saudade. Mas eu tenho superado a cada dia.
Deixo aqui todo o meu apoio e força a todas as mães diabéticas ou não, que não desistam de seus sonhos, o impossível não existe. Não é fácil levar uma gestação sendo diabética, mas não é impossível. Eu não tive internações durante as gestações, porem tive quadros de infecção urinaria recorrente, que é muito normal em mamães diabéticas e NÃO diabéticas, só não entro em detalhes porque minha historia é longa, afinal não é a história de 1 gestação, e sim de 3! Só para constar, nunca fiz contagem de carboidrato. A respeito de tipos de exames feitos na gestação, foram inúmeros, não consigo me lembrar de todos, mas um que era feito constantemente era o de urina 24 horas. Lute e batalhe sempre pelo oque você deseja e sonha. Eu espero que minha história não acabe aqui, confesso que desejo muito mais uma gravidez, mais tudo tem seu tempo. No momento preciso cuidar da minha saúde e controlar a minha pressão que depois do ultimo parto resolveu ficar alta,rsrs. Só pra finalizar, EU CONSEGUI TERMINAR A MINHA FACULDADE DE DIREITO, me formei no final de 2013. Hoje sou bacharela em direito e futura advogada! Um grande abraço a todas!

3 comentários:

  1. Graças ao Pai..grande aprendizado..logo mais contarei também.....

    Deus abençoe grandemente

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    1. Eu espero que Deus continue me dando força e saúde pra passar a diante a minha história e dar coragem a todas as mulheres que querem ser mães!!

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  2. A sua história parece muito com a minha,também tenho um filho e ele tem 6 anos,em maio de 2015 tive uma filha ana Julia e ela só viveu por 6 dias por intercorrência do meu parto ela teve complicações e hoje após 10 meses que ela faleceu estou gravida de 6 meses esperando minha bênção um príncipe Davi Lucca e tenho fé que vai da tudo certo,obrigada por compartilhar sua história, me deu mais forças, que Deus abençoe você e sua familia sempre. Beijos as: Geise Costa 24 anos diabética há 6 anos.

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