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Desabafar faz bem! Aliás é necessário numa gestação diabética

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Há uns meses atrás escrevi para o blog da Kath, estava desesperada e me sentia desamparada quanto ao diabetes e gravidez... Aquilo seria possível? Eu era totalmente desinformada não sabia o que fazer... Escondia de toda a minha família o diabetes, só meu marido sabia, tinha medo do que poderiam pensar...Eis aí a minha história... No começo da minha gestação escrevi um texto para este blog pedindo para não ser identificada,precisava desabafar segue o link:

http://diabetesevoce.blogspot.com.br/2013/07/diabetes-nao-revelado.html
Vamos falar de mim e minha gestação agora...


Sou Ana, tenho 30 anos, sou DM 2, uso insulina NPH e descobri o diabetes num exame de rotina , me adaptar a nova rotina  foi um pouco estressante, escondi o quanto pude minha doença com medo do que os outros pensariam...

Tive meu primeiro filho com 21 anos e queria muito ter mais um(ainda não era DM), de preferência uma menina, que inclusive já tinha até nome rs: Júlia.

Decidi engravidar e fui fazer os exames necessários, na verdade eu sabia que tinha algo errado, pois havia emagrecido mais de 30 kgs sem nenhum esforço. Ao entrar no consultório e ouvir o resultado, que na verdade acho que já sabia, a minha primeira pergunta foi :POSSO ENGRAVIDAR?
Senti medo da resposta, mas graças a Deus foi:  SIM, BASTA SE CUIDAR!

Confesso que não era fácil, sempre fui de comer bem e muita besteira. Também não me aceitei, não aceitava a doença sabe?

Ai minha vida foi mudando, comecei a tomar remédio, logo em seguida , devido a vontade de engravidar, passei pra insulina.

Mas, escondi de todos, só mesmo meu marido sabia, nem meus pais.

Tive uma gravidez bem tranquila, em relação a pressão alta e outras doenças, se não fosse pelo DM teria sido perfeita,tive muitas hipos e consequentemente hipers, pois comia pra corrigir e ai aumentava muito, o medo e ansiedade as vezes  aumentavam minha fome, e vinham as hipers. No dia 12 de agosto de 2013 consegui depois de várias tentativas confirmar o que eu já sentia, esperava por uma menina, que feliz eu estava.



O tempo foi passando e no ultimo mês de gravidez, contei pra minha mãe que estava com diabetes gestacional, mas que era normal, muitas amigas tinham e tudo estava tranquilo. Ela até que acreditou. Minha cesária foi marcada para o dia 20 de dezembro de 2014, mas no dia 16/12 as 10 hs da noite em meio a um churrasco de encerramento do futebol do meu marido, minha bolsa rompeu. Mas como o liquido estava saindo aos poucos achei melhor ir pra casa e descansar, só pela manhã do dia 17/12 liguei para o meu médico que pediu que fosse a seu encontro.

Estava  em trabalho de parto  há horas e nenhum dedinho de dilatação, o médico decidiu fazer uma cesárea, fui para o centro cirúrgico e a exatos  12:57 nascia minha princesa linda e saudável: Júlia, idade gestacional 36 semanas e 6 dias, 4,200kg e e 50 cm. Ao escutar seu choro, não consegui me conter e cai em lágrimas de emoção!!!! 

Como demorei a ir para o quarto devido a cesárea, deram uma chuquinha de NAN pra ela, e por causa da hipo que ela teve ( normal para um bebê de DM) deram mais uma. No outro dia minha bebê estava ótima, mas não queria mamar, achei que fosse normal.

Na hora da alta, perguntei se seria normal ela ainda não ter feito cocô, desde que nasceu, e ai vem a parte triste do nascimento dela, mas graças a Deus com um final feliz.

Depois de muitos exames feitos as pressas, o diagnóstico, minha filha tinha uma obstrução no intestino e por isso não passava o cocô. Havia uma falha. Teria que ser operada imediatamente, mas teria que ser em um hospital com UTI neonatal e a única que tinha vaga seria só para o outro dia.

Fiquei sem ação, minha princesinha ali, toda cheia de coisa, era soro, era sonda no nariz, uma tristeza.Era por isso que ela não queria mamar no peito, como não fazia cocô, estava com o estomago sempre cheio. Passei aquela noite inteira acordada, não conseguia pregar os olhos, era dia 18 de dezembro, minha filha seria operada em outra cidade e o pior, meu medico não me liberou pra ir com ela, eu tinha acabado de fazer uma cesariana com laqueadura.

Como eu podia aceitar? Como eu poderia deixar ela ir? Ela precisava de mim, mas eu precisava ser forte. Chorei muito, muito, durante toda aquela noite, mas Deus estava no comando e eu tinha certeza que tudo ia dar certo. Durante a madrugada eu rezei e pedi a Deus que curasse minha filha, que operasse ela e que eu prometia fazer algo que fosse dificil para eu cumprir,  na hora me veio a cabeça: Assumir minha doença e contar pra minha mãe a verdade. E eu prometi.

No dia seguinte as 7 hs da manhã entra a enfermeira no quarto e me pede uma fralda nova, eu sem empolgação apenas entreguei pois durante a madrugado ela já tinha vindo buscar uma pois tinha muito xixi, mas pra minha alegria  Deus estava comigo, e ela me disse  ELA FEZ COCÔ !

Kath, na mesma hora eu cai no choro , eu e meu marido. Era tudo que eu precisava ouvir, eu estava ali esperando a ambulância chegar pra levar minha filha, sabendo que eu passaria o natal em casa sozinha e ela no hospital a quilômetros de distancia de mim. Então neste momento foi adiada a cirurgia dela, mas eu sabia que ela tinha sido operada por Deus.

Precisava cumprir o prometido né?E assim que chegasse em casa ia chamar minha mãe e contar toda a verdade, quando de repente entra meu médico pra me ver e la vem a minha mãe perguntar pro doutor se essa tal diabetes agora ia embora, que saia justa, ele olhou pra mim, eu olhei pro chão e pensei, é essa a hora, e falei ali, na frente de todo mundo, meu marido que já sabia, meus pais , que ficaram sem palavras e minha cunhada que aceitou bem.

Nossa!Como foi difícil pra mim!Mas eu sentia um peso tirado das costas sabe?Assumir isso pra ela. Claro que ouvi um belo sermão, no primeiro momento ela ficou bastante chateada comigo, foi embora do hospital brava comigo. Mas depois passou e hoje  ela já se acostumou.

Sempre digo que Deus é maravilhoso, e tudo, tudo tem  a sua hora, a hora que ele  decide.

Resumindo, eu queria sair do hospital no dia seguinte, mas acabei ficando 4 dias lá, entrei na terça de manhã e só sai na sexta, que na verdade era o dia marcado pra ela nascer, mas sai feliz, com minha princesa nos braços.

Se foi fácil? Não, não foi, passei por momentos durante a gestação de chorar escondido, de querer comer e não poder... Mas faria tudo de novo sem  pensar, pois a recompensa é maravilhosa, cada vez que olho para o seu rostinho afirmo que valeu a pena sim, e não me arrependo de ter feito o que fiz. Sei que se tivesse contado antes, seria julgada quando engravidasse, pois na minha familia já tem uma pessoa que tem essa doença e todos dizem que ela não pode ter filhos por isso, mas eu estou aqui pra provar o contrário. Basta  querer.

Deixo uma mensagem para aquelas que tem a doença e pretendem ter um filho, façam, agora, hoje, não espere nem mais um minuto. É gratificante. Vale muito a pena. É difícil? Dá medo? Tem altos e baixos? Sim!Mas tudo na vida é assim!

Hoje sou a mulher mais feliz desse mundo, cada vez que olho pra minha filha e lembro de tudo que passei, me sinto orgulhosa, ganhei o melhor presente que Deus poderia ter me dado!!!

Essa é a minha história!! Espero que tenha gostado e que possa ajudar outras mulheres!!!

Obrigado por tudo!!

Beijos






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