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Meus filhos,minha vida

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Olá Pessoal!

Espero por meio deste depoimento ajudá-las e encorajá-las a pensar numa maternidade DM possível e a entenderem que nem sempre a vida segue o curso que desejamos,ora por nossos próprios atos,ora por que independe da gente... O importante é mesmo em meio a dificuldade não desistir,mesmo quando temos todos os motivos para isso.

Me chamo Viviane, tenho 34 anos , sou separada e atualmente trabalho com venda de produtos estéticos em casa.

Sou DM1 há 25 anos e uso bomba de insulina como tratamento.

Nunca tive planos de ter filhos, não pensava nisso,meus filhos vieram nos momentos mais improváveis da minha vida.

Meu primeiro filho se chama Weslley, hoje tem 13 anos, nasceu com 2,610 kgs e 50 cm no Hospital e Maternidade São Paulo, onde existe um programa de maternidade de alto risco (super indico).  Passei por muitas dificuldades durante as gravidezes, sendo elas:

·         Glicemias sempre descompensadas,
·         Várias internações,
·         Inúmeras hipoglicemias sem sintomas que tive até que parar de usar as insulinas e fiquei do sétimo ao oitavo mês internada para poder tentar colocá-las em dia e  ter meu bebe.Ele estava se desenvolvendo bem, mas o problema era eu e o Diabetes.

Quando o Weslley nasceu, tive minha mãe para dar uma força e me ajudar com as coisas, porém quando ele completou 25 dias de nascido ela veio a falecer.  Tive que aprender a cuidar dele sozinha já que o pai nunca fez muita questão.

Era o Diabetes para administrar, um filho e mais três irmãos menores,já que com o falecimento da minha mãe me tornei responsável por eles.Meu pai alcoólatra nunca se importou em saber como estávamos, tive que dar conta de educar e suprir financeiramente,é não foi fácil.Trabalhava e tinha minha vida como um todo para cuidar,houveram momentos que eu pensei que não conseguiria suportar tamanha responsabilidades associadas a hipos e hipers.


Talvez as pessoas não compreendam e me julguem,porém se ver em uma situação sozinha, cheia de responsabilidades,medos e um filho para criar e irmão entrando na adolescência para controlar, dar conta do DM...Não foi fácil!

Minha alegria e força para continuar caminhando era o meu filho. Não sei se alegria é a palavra certa, pois passei muito tempo odiando o pai dele, que sobrava pouco dentro de mim para sentir amor, isso não quer dizer que maltrasse meu filho,pelo contrário, todo o cuidado lhe era dado já que o mesmo que “me mantia” viva.  Ás vezes me sentia mal por ter pouco tempo para cuidar dele ,pois trabalhava, estudava e Weslley ficava com minhas irmãs pois eu precisava trabalhar.

Deixei meus tratamentos de lado e fui viver como se o DM não existisse, passava dias sem insulinas pois nunca aprendi a fazer as aplicações corretamente, passava mal toda vez que via uma seringa.Eu era totalmente dependente da minha mãe,e com a partida dela desisti de me cuidar.As insulinas quem aplicava eram minhas irmãs,porém quando discutíamos por qualquer motivo, elas não aplicavam ,quebravam meus vidrinhos de insulinas e eu ficava sem...Na verdade nem me importava deles serem quebrados...

Com isso começaram a vir as internações e as crises...Deus sempre me mandava anjos nesses momentos para me ajudar nessas fases.

Mas a danada da depressão começou a me pegar de um jeito que eu não me reerguia,tentei suicídio por algumas vezes e uma vez meu irmão  resolveu me internar no Hospital Psiquiatrico, passei uma semana láe mesmo dopada de remédios vi que eu precisava sair daquela situação, precisava reagir de alguma forma.Foi no meio de tantos médicos que conheci uma que  segurou minha mão e me ajudou muito.

Aos poucos fui reagindo e fui voltando a viver, mas minha cabeça muitas vezes pirava do nada, me entupia de remédios antidepressivos e as crises de depressão parecia não ter fim, em meios as essas crises engravidei novamente, só fui saber que estava gravida quando senti uma dor forte pois eu estava tendo um aborto...

Mais uma vez uma fase horrível sem apoio de ninguém a não ser dos médicos que ali estavam de plantão, passei dias internada e assim que voltei pra casa as dores voltaram  e entrei em coma onde tiveram que me “abrir’’ para tirar o resto de uma curetagem mal feita.E mais uma vez sozinha sem apoio de ninguém,meu filho nas mãos de um e de outro...

Foi quando percebi que era só eu e meu filho que tínhamos que aprender a cuidar e amar um ao outro. Minha mãe deixou para nós um terreno grande então comecei a construir em uma parte pra me separar dos meus irmãos para ter minha casa e fazer minha vida com meu filho foi complicado trabalhava muito mas consegui.

Então sempre foi eu e Weslley, até conhecer uma pessoa que me ajudou muito. Acabei engravidando ,tive uma gravidez cheia de fantasmas passados, eu nunca imaginava ser mãe outra vez...As lembranças da minha  primeira gestação fizeram com que eu só me afundasse ainda mais na depressão, eu não conseguia distinguir uma situação da outra, que agora era outro momento,outra gestação que tinha o pai da criança ao meu lado desta vez...

Contudo Miguel veio ao mundo com saúde,  hoje tem 2 anos e 7 meses, nasceu com 3980kgs e 52cm na Maternidade do Hospital São Paulo . Na gestação dele  não precisei ficar internada pelo Dm, estava descompensada mas nada que assustasse,pois eu já usava bomba de insulina que ajudou muito no tratamento, quase não tinha crises de hipos e nem hiper muitos elevadas.

O que complicava mesmo era a depressão,eu estava os medos passados me assombrando a todo momento.

E no sétimo mês comecei a inchar bastante onde os médicos ficaram em alerta e no dia que completei 8 meses fizeram a cesárea. Miguel nasceu com o pulmão fraco, mas logo se recuperou.Fiquei dias internada para aprender a cuidar dele pois a depressão estava ali e os médicos tinham medo dela só aumentar ,gerando uma depressão pós parto e eu acabar machucando meu bebe. Meu marido me ajudou muito neste processo , fui aprendendo a amar o bebê e vê-lo como meu filho que precisava de carinho e atenção.




Hoje me separei do pai do Miguel, mas continuamos parceiros,ele me dá toda a assistência e ajuda com os dois meninos.

Desenvolvi algumas algumas “patias” referente ao mau controle glicêmico sendo estas:

·         Depressão
·         Neuropatia nos membros inferiores e superiores
·         Gastroparesia Diabética
·         Retinopatia Diabética

Todas sem o devido tratamento,pois conseguir consultas e acompanhamento pelo SUS é quase impossível,conforme vão surgindo as oportunidades vou fazendo,mas nem sempre surgem.

A bomba de insulina foi fundamental em meu tratamento, esta fracionou minha insulina basal e me ajudou na contagem de CHO o que foi fundamental em meus controles(confesso que ás vezes ainda não dou a atenção adequada ao tratamento).Atualmente faço o tratamento para depressão e continuo tendo meus altos e baixos,mas ainda que tenha todos os motivos para desistir,pelos meus filhos não desisto,é tudo tão antagônico, que ás vezes nem consigo  por em palavras.

O que posso afirmar hoje é que filhos são bênçãos de Deus para nossas vidas, se hoje levanto e luto para viver é por que os tenho como motivação força e pulso para a vida.
Todo esforço que fiz durante a gestação foi recompensado, meus filhos,minha luz.




Minha mensagem para as diabéticas que desejam engravidar ou que já estão gestantes é: “ Monitorem-se assiduamente, quando for permitido façam atividades físicas, tomem bastante água, faça o pré- natal e o proposto pelo médico sempre, alimentem-se com responsabilidade, tudo isso pode parecer torturante ás vezes...Porém pensem: É por eles! Fomos nós que o trouxemos á vida, nós q o quisemos, não é verdade? E por que não fazermos direito? Então que sejamos responsáveis com os nossos tratamentos. E que após o nascimento que tudo isso continue, pois agora faz-se necessário para que o vejamos crescer e para que participemos de suas vidas sempre. Pois diante de tudo o q eu passei de uma coisa eu tenho certeza: TENHO VENCIDO POR MEUS FILHOS!”



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