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Gestei com o útero e agora gestamos com coração: Bem Vinda Ana Clara!

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Olá pessoal! Como vão?
Em novembro de 2013 a Gilsiane esteve nos dando um depoimento falando-nos dos cuidados assíduos que teve em sua gestação da Mayala ressaltando o seu anseio por parto natural.  Um mês depois em dezembro de 2013 Gil nos enviou outro depoimento relatando detalhadamente seu parto. Muito enriquecedor!
Agora uma novidade: Gilsiane, Paulo e Mayala ganharam mais uma membra na família, a Ana Clara. Sim,nasceu uma filha de coração deste relacionamento, o casal está em processo de adoção. Acompanhe esta emocionante história!
Decidimos adotar antes de nos casarmos. Gostaríamos também de termos filhos biológicos. Quando nos casamos começamos a tentativa de engravidar. Depois de mais ou menos 8 meses de tentativas, sem ainda engravidar, levamos os documentos na Vara da Infância e Juventude de Belo Horizonte para nos habilitarmos à adoção, em outubro de 2012.
Esse processo durou cerca de 6 meses. Participamos de um curso, fomos entrevistados por psicóloga e assistente social e recebemos visita de pessoal do Justiça em nossa casa.
As pessoas costumam dizer: “você entra na fila de adoção e engravida”. Parece que conosco foi assim mesmo! Fomos entrevistados em março e descobrimos a gravidez em 01-04-2013.
Em abril de 2013 estávamos finalmente habilitados à adoção. Em agosto fomos “tirados” da fila porque o pessoal do fórum soube da nossa gravidez. Isso é um procedimento protocolar. Na ocasião receberíamos um bebê, eles nem chegaram a nos dizer, já que antes falamos por telefone da gravidez. Imaginamos que se nos dissessem é bem provável que diríamos sim à aquela possibilidade de adoção. Ainda bem que não nos disseram! Eu estava completamente envolvida com a gravidez, com a organização da casa/quarto para a chegada do nosso bebê, além da escrita da dissertação. Na época eu estava terminando o mestrado e pensava que poderia defender a dissertação antes do parto. Mera ilusão! Mas a defesa aconteceu em fevereiro de 2014 – foi outro parto! Nossa filha Mayala nasceu em 18-11-2013, conforme relatado neste blog.  
Em março de 2015 fomos novamente entrevistados para “voltarmos” pra fila. Estávamos ansiosos para continuarmos na fila/cadastro de adoção esperando o nosso outro bebê. Os profissionais nos acharam aptos à adoção e permanecemos na fila. Essa nova entrevista costuma acontecer porque muitos casais desistem de adotar depois de engravidarem. Nós continuávamos com o nosso desejo de adotar. Não mudamos o perfil da criança que gostaríamos de adotar: bebê de até um ano de idade, independente do sexo, de qualquer cor/raça. A nossa restrição era que não queríamos um bebê com doenças intratáveis.  
No dia 10-06-15 uma assistente social fez contato telefônico nos dizendo que havia um menino de 4 meses disponível para a adoção. Este menino tinha uma doença tratável, estreitamento de traqueia, já havia feito cirurgia, provavelmente faria outra e fazia uso de uma bolsa gástrica. Achamos que pra nós seria muito complicado cuidar de um bebê assim, e, também por causa da Mayala, preferimos nem conhecer tal bebê.
Na semana seguinte, 15-06, outro telefonema. Por coincidência foi a psicóloga que já havia nos atendido na Vara que nos ligou. Ela falou que tinha uma menina de 6 ou 7 meses disponível à adoção. No dia seguinte fomos conversar com ela pessoalmente para sabermos de mais detalhes. Ela nos disse que Ana Clara tinha nascido em 17-11-2014. Achamos muito interessante, quase um ano de diferença de Mayala! Falou que a bebê nasceu com sífilis congênita, mas que fez o tratamento protocolar na maternidade e que estava bem. Soubemos que a mãe biológica, moradora de rua, teve alta e não voltou à maternidade para ver a filha enquanto ela fazia o tratamento para a sífilis, que são dez dias.  Devido ao processo jurídico neste relato escolhemos um nome fictício para a nossa filha, a fim de preservá-la.
No dia seguinte fomos conhecê-la no abrigo. Foi estranho este primeiro encontro. Uma bebê com quase sete meses, que seria nossa filha. Ela aceitou vir para o meu colo sem resistência. Mayala viu a cena mas não ficou com ciúmes. Esse encontro durou cerca de 20 minutos. Mayala ficou empolgada com o lugar, cheio de crianças. 
Eu e Paulo conversamos e resolvemos consultar uma pediatra para tirarmos algumas dúvidas sobre o estado de saúde de Ana, mas já bastantes inclinados pela adoção.
O pessoal do abrigo onde Ana estava desde quando recebeu alta da maternidade nos enviou alguns exames e documentos dela via e-mail. Achamos estranho que na certidão de nascimento recebida a data de nascimento era 18-11-2014. Ligamos para a psicóloga da Vara porque não estávamos entendendo. Ela havia se confundido. Era isso mesmo: Ana nasceu exatamente um ano depois de Mayala. Ficamos surpresos com este fato.
Fizemos contato telefônico com a psicóloga para falar da nossa decisão de adotar a bebê. Combinamos que a buscaríamos na próxima segunda-feira, era necessário a autorização do juiz para recebermos o termo de guarda, isso demoraria mais um dia útil.
No dia 20-06 foi-nos permitido passar o dia com Ana. Nós a levamos à casa dos avós paternos. Foi uma surpresa. Ninguém esperava conhecer a pequena naquele dia. Havíamos dito que ela chegaria em 22-06. Todos ficaram muito felizes. No dia 21-06 nova surpresa, agora visita à casa dos avós maternos. Foi ótimo também. Todos se encantaram com Ana.
As nossas famílias já sabiam do nosso desejo de adoção. Todos estavam sabendo que a Ana chegaria e estavam super curiosos para conhecê-la. Além disso, todos nos apoiaram com muito amor e carinho nessa nova maternidade/paternidade.  
No dia seguinte Ana chegou em nossa casa, mas agora definitivamente.  Já era final de tarde. Eu, Paulo, Mayala e Camila, minha irmã, fomos buscá-la. Paulo foi trabalhar em seguida e  Camila me ajudou.  Mayala ficou muito enciumada. Chorou, teve dificuldades para dormir.  Ana estranhou a novidade, também teve dificuldades para dormir, não aceitou mamar.  
Estávamos preocupados com a saúde de Ana e antes mesmo que ela chegasse em nossa casa agendamos algumas consultas. No primeiro mês conosco ela foi ao pediatra, ao neuropediatra, ao dermatologista, ao pneumologista pediatra e ao fonoaudiólogo, da maternidade em que ela nasceu. Esta última consulta deveria ter acontecido em maio, mas o pessoal do abrigo não fez tal agendamento. Esta consulta foi necessária por causa do uso de antibióticos na maternidade devido à sífilis congênita. A audição de Ana Clara está em ótimas condições, e não será necessário consulta de retorno.
A próxima consulta na maternidade será com a fisioterapeuta. Ainda não sabemos o motivo de tal consulta que também deveria ter acontecido anteriormente.
Em relação aos primeiros dias conosco, observamos que Ana não aceitava muito bem os alimentos. Rejeitava um pouco. Vimos as anotações do diário dela no abrigo. Havia doses de leite muito diferentes  uma das outras, não havia um padrão de ingestão láctea. Suponho que talvez isso tenha acontecido devido ao grande número de crianças, inclusive bebês, e poucos cuidadores. Na nossa casa, aos poucos, ela foi se acostumando. Nos primeiros dias costumávamos cuidar de sua alimentação, por exemplo, ingestão de 100 ml de leite ou um pouco de papinha por mais ou menos 1 hora. Mas, em cerca de uma semana, ela já começou a estabelecer uma rotina conosco, inclusive de alimentação, isso ia nos tranquilizando. 
Inicialmente notamos que ela não balbuciava, apenas emitia alguns gritinhos. Quando completou um mês começou a balbuciar, a emitir algumas letras e sílabas. Que bom!
Em relação ao aspecto motor, observamos um bom desenvolvimento. Ela ficava arrastando por toda a casa e em 04 de agosto começou a engatinhar. Fica em pé quando apoiada. “Dança” ao som de música e ri bastante.  
Nós estamos com o termo de guarda e já entramos com o processo de adoção. Só ao término deste processo é que Ana Clara terá os nossos sobrenomes e nós seremos considerados, perante a Justiça, os seus pais, apesar de isso já está acontecendo. É claro que isso também é um “processo”, vai acontecendo a cada dia, a cada choro, a cada carinho, a cada sorriso.... Ela está entrando em nossas vidas. Não só na vida de nossa família nuclear, mas nas nossas grandes famílias: avós, tias e tios, primos... Preferimos manter o seu nome. Não o mudaremos. Soubemos, a partir da leitura do processo, que a mãe biológica escolheu um dos nomes dela – ela tem nome composto. Consideramos que isso faz parte da sua história e queremos que ela, oportunamente, saiba disso.
Em um mês Ana engordou 400 grs. Está se desenvolvendo muito bem. Quanto ao aspecto neurológico, não há nenhuma evidência de atraso neuromotor. Sua pele está um pouco ressecada, temos usado hidratante diariamente, orientados pela dermatologista. Em relação à respiração, observamos desde o primeiro dia que ela respirava com dificuldades em alguns momentos, parecia ter um “chiado” no peito. A pneumologista supõe que seja renite, prescreveu um medicamento o qual já estamos administrando.
Ela é moreninha, cabelo pretinho e lisinho, super risonha e esperta.  Estamos felizes com essa nova maternidade/paternidade. Mayala, apesar do ciúmes, já faz carinhos em Ana e já se refere a ela como sua irmãzinha. Sorri para ela e cuida dela, repetindo algumas falas nossas. “Tira a boca do chão, Ana”; “Vem pra cá, Aninha”; “Cuidado, Aninha”.
Bom pessoal, queria compartilhar esdta minha alegris com vocês, Abraços!

Depoimento da gestação da Gilsiane: 
Depoimento do parto da Gilsiane:

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