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Julia mudou minha vida e pra melhor...

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Sou Maisa Peres, tenho 29 anos, da cidade de Jaú/SP, descobri a diabete aos 5 anos, lembro-me perfeitamente da internação para começar o tratamento, foi a primeira de duas internações até hoje por causa da diabetes. No começo o medo, depois adaptação, o cuidado extremo, mas com o passar dos anos, acho que como 90% das pessoas com diabetes veio a rejeição, na adolescência, comecei a não levar tão a sério a dieta, a única coisa que eu fazia era tomar a insulina, comecei a ir menos às consultas, fazia o tratamento em Botucatu, na Unesp, cheguei a ficar 1 ano sem aparecer nas consultas, nunca tive nenhum problema aparente com a diabetes descontrolada, porém estava sempre consciente que a doença é silenciosa quando não cuidada, que as sequelas vem lá na frente, e sempre ouvia de médicos, ou de outras pessoas, você não conseguirá ter filho, coitada com diabetes não dá pra engravidar, é arriscado, seu filho nasce com diabete, entre outras frases, com 28 anos comecei a pensar muito no desejo de ser mãe, já havia voltado as consultas, porém a atividade física e o controle da alimentação ainda estavam muito desorganizados, eu pesquisava muito sobre mães dm1, ouvia muito que as mães dm1 na gestação acabavam ficando internadas durante a gestação, que era um dos períodos mais complicados, que na maioria das vezes o bebê nascia e ficava na uti por alguns dias.

Em 2014 comecei a fazer a dieta como muitas outras vezes, porém sempre durava 1 ou 2 meses e abandonava tudo novamente.

No dia 28/08 descobri que estava grávida, foi de surpresa, namorava ha 9 anos, porém não estava preparada para essa notícia, a primeira reação foi o medo, mas com o apoio do Maicon, meu namorado, a noticia foi se transformando de medo em desejo, queria muito esse bebê, mas a primeira coisa que veio a minha cabeça foi a diabetes totalmente descompensada, decidi naquele dia mesmo procurar o ginecologista e ele me passou para o GESTAR (gestantes de alto risco) um programa que tem na minha cidade onde os atendimentos são bem melhores, comecei as consultas e minha hemoglobina estava em 12, ao ver isso o médico foi sincero, com um resultado desse seu bebê corre grandes riscos, tudo está dependendo de você, a vida dessa criança não depende dos médicos, depende de você, eu em 24 anos de diabetes poucas foram as vezes que consegui ter uma hemoglobina na casa dos 7, sabia que Deus tinha me dado a chance de ser mãe, porém ele também tinha me dado o dever de me cuidar para poder desfrutar dessa gestação. 



Aos 3 meses de gestação minha cunhada estava grávida de 6 meses e perdeu o bebê, ela tinha uma saúde perfeita e infelizmente não conseguiu segurar e a bebê morreu com 18hs de vida, aquela notícia foi um choque pra mim, já estava com muito medo, depois da noticia meu medo piorou, mas eu tinha muita fé e sabia que Deus estava comigo e só dependia de mim, na gestação eu me transformei, eu descobri que era possível cuidar da diabetes tranquilamente, eu descobri que o que me faltava era vergonha na cara, no primeiro trimestre eu consegui abaixar minha hemoglobina de 12 para 7,3, eu fazia os as pontas de dedo todos os dias, eu contava carboidratos, eu estava me cuidando como deveria ter cuidado desde o diagnóstico. Tive sangramento 2 x no primeiro trimestre, mas nada preocupante, somente repouso. 

A minha gestação foi totalmente perfeita, eu não tive nenhuma internação, quase completando 37 semanas eu acordei no domingo sentindo gosto estranho na comida, como se estivesse com gosto de ferro, mas não dei muita importância, a noite comecei a sentir meu pescoço enformigar, decidi ir para o pronto atendimento, ao chegar lá o médico me disse que era ansiedade pela gestação e me deu calmante, voltei pra casa e no outro dia acordei e comecei a perceber meu rosto dormente, não conseguia piscar, as palavras com a letra P não eram pronunciadas corretamente, 15 min depois meu rosto do lado esquerdo paralisou, procurei o meu obstetra e fui diagnosticada com paralisia facial, o primeiro tratamento para a paralisia facial é com corticoide, não seria uma boa idéia usar o corticoide com quase 38 semanas de gestação, com diabetes. 



Então juntos decidimos que estava na hora de receber a nossa Julia, no dia 09/04/2015 foi marcado a minha cesárea, a Julia veio ao mundo com 3,300 kg 47 cm, perfeita, nasceu com uma hipo que foi corrigida com uma mamadeira de leite, os hgts nela foram feitos de 2 em 2hs durante as primeiras 24hs, como ela ainda não pegava o peito, foi dado NAN no primeiro dia, nós fomos para o quarto juntas, ficamos 24hs internadas, tudo o que eu ouvia sobre gestação de diabéticas não presenciei graças a Deus, eu tive uma gestação totalmente tranquila, fiz cesárea no tempo certo, a minha princesa veio ao mundo totalmente saudável, eu engordei 8 kg na gestação.




Depois que a Julia nasceu, na primeira semana o que mais me atormentou foi a paralisia facial, eu tinha uma dor insuportável no trigêmio, passei 7 dias com noites em claros, com muita dor, a Julia mamava super bem, dormia super bem, depois com a acupuntura consegui me livrar da dor da paralisia facial.


Depois do nascimento da Julia confesso que dei uma relaxada no controle, principalmente por ser uma rotina super diferente além da paralisia facial que consumia muito meu tempo, tinha que fazer fono, fisio, acupuntura, ir no otorrino, no neuro, acabei descontrolando a glicemia, não consegui ainda entrar no eixo, na hora de amamentar tenho hipo, na correria do dia acabo não contando corretamente os CHO e não corrigindo corretamente, mas essa semana já voltei para o endócrino, já estou tentando entrar na rotina, pois hoje não me resta dúvida nenhuma, você pode ser diabética, você pode não ter doença nenhuma, quando deus te proporciona o dom de ser mãe não há nada que impeça, vc precisa se dedicar a isso, se cuidar e saber que 90% da gestação de uma dm1 depende dela mesma, dos bons controles e principalmente da tranquilidade, a cabeça descompensa bem mais do que um brigadeiro, pois sabemos quantos CHO os brigadeiros tem, mas nosso emocional se não for controlado não há insulina que consiga corrigir.



Tive muita hipo na gestação, tive algumas hiper, e meu médico sempre me disse, se você fizer o hgt, corrigir tanto logo tanto hipo quanto hiper os riscos são mínimos.

Hoje descobri o que realmente é ser feliz, deus me deu o maior presente, sei que tenho que me cuidar, porque agora que meu anjinho está aqui ela depende muito de mim.


A você que tem medo, confie em Deus, ele saberá mandar o seu presente no melhor momento.

Hoje estou 98% melhor da paralisia facial, e é muito difícil descobrir as causas, muitas pessoas costumam ter na gestação, além da diabete também que ajuda muito a ter uma paralisia, quando minha princesa nasceu eu não conseguia sorrir por conta da paralisia, mas meus olhos sorriam por mim, minha alma demonstrava minha felicidade, e eu estava tão feliz com o nascimento da Julia que a paralisia foi encarada com um simples problema que eu iria superar.




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