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Uma gravidez planejada e desejada: A Alícia nasceu!

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Meu nome é Alessandra Etiene, sou professora de Português e tenho 32 anos. 

Tenho Diabetes Mellitus há 11 anos.Descobri que era diabética de uma forma bem traumática. Não reparei nos sintomas mais básicos: sede, xixi em excesso e perda de peso. 

Eu tinha 21 anos, trabalhava e estudava. Achei que era apenas cansaço. Um dia em casa, desmaiei e fui levada para o hospital. Tive duas paradas cardiorrespiratória e entrei em coma. Sobrevivi (sem sequelas) por um milagre.

Estava cheia de planos. Com o diagnóstico acreditei que estava tudo acabado. Ledo engano. Meu primeiro endócrino me explicou tudo sobre a doença e de como poderia ser minha vida dali pra frente. Me ajudou muito a aceitar e de cara me apresentou a contagem de carboidrato. Com esse método, associado ao uso das insulinas NPH e Regular, pude levar adiante meus sonhos. Me formei em Letras pela UFRJ, trabalhei como professora, viajei, curti baladas, festas, namorei... Fiz tudo sem deixar que a Diabetes me limitasse.

Não foi fácil. Às vezes batia a vontade de chutar o balde. Mas eu me lembrava do susto que tinha sido minha internação e de como meus pais ficaram apreensivos. Não queria passar por tudo aquilo de novo.

Ter filhos não estava nos meus planos (e confesso que eu nem pensava nisso por medo). 

Casei e  meu marido não me cobrava isso, porém eu sabia que esse era seu maior sonho. 

Eu sempre gostei de crianças, mas ter uma me deixava meio assustada. 

Pesquisando sobre o assunto, me indicaram o blog diabetesevoce.blogspot.com.br. Até então eu não conhecia nenhuma outra mamãe diabética e, lendo os depoimentos, fui me animando. Até que em uma consulta com minha atual endócrino eu manifestei a minha vontade. Ela concordou na hora e já iniciamos todos os cuidados necessários.

Tomei anticoncepcional por 12 anos, por isso demorei um pouco para engravidar: 5 meses. 

Eu e meu marido não contamos pra ninguém que estávamos tentando. Mesmo depois de muito tempo, algumas pessoas não entendem que uma diabética pode ser mãe como qualquer outra mulher. E essas mesmas pessoas tentariam me desencorajar ou me assustar com histórias escabrosas. 


Não foi uma gravidez fácil: muitas hipos no início, suspeita de zika (que não passou de uma simples alergia, ufa), dieta rigorosa e desenvolvi colestase (o bebê pressiona o fígado no fim da gestação e isso causa enjoos e coceiras por todo o corpo). 





Iniciei a gestação com a hemoglobina em 8% e terminei com ela em 6,5%.Todo meu acompanhamento e parto foram feitos pelo SUS. Meu único entrave foi a falta das Insulinas Humalog e Lantus. Tive que voltar a usar a NPH e a Regular. Uma equipe médica maravilhosa me acompanhou até o último dia e quero deixar aqui meus agradecimentos a eles: Drª Daniele (obstetra de alto risco) e Drª Mariana e Drº André (endócrinos especialistas em gestantes). 



No dia 12 de agosto de 2016 Alícia chegou a esse mundo perfeita e saudável. Eu estava com 39 semanas e seria parto normal (cheguei a 10 de dilatação), mas ela saiu da posição e minha pressão começou a subir. Por isso fiz  uma cesárea de emergência. Minha bebê não precisou ir pra incubadora e foi logo para o quarto ficar comigo. A amamentação tem sido prazerosa desde o início, mas não posso bobear. O gasto energético é enorme e as hipos são frequentes. Minha mãe e meu marido estão sempre alertas e aos poucos vamos nos adaptando a essa nova rotina.



Ela é linda e tem dado mais sentido a minha vida. Não me arrependo da escolha que fiz e espero que esse depoimento incentive outras mulheres diabéticas a realizarem seu sonho de ser mãe. Medos e receios fazem parte, mas não podem ser limitadores.


2 comentários:

  1. Que lindo esse teu depoimento amiga. Tenho certeza que ajudará a muitas futuras mamães, a pelo menos pensarem e planejarem a respeito.
    Admiro a tua força guerreira. Bjsssss...

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  2. Mas que lindo não vejo a hr de ter meu repolhinho...vc bem que poderia divulgar o contato desses médicos incríveis que citou!

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