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"Diabética"pode ser mãe? Muitos me perguntavam e provei que podemos ser mães sim com os devidos cuidados

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Olá, me chamo Danielli, tenho 32 anos. Sou mulher, filha, esposa, mãe, advogada, e sou DM 1 há 23 anos.

Bom, descobri que tinha DM muito jovem, moro em um município (Juquitiba), que ninguém sabia o que era diabetes juvenil. Todos (inclusive os meus familiares) imaginavam que diabetes era doença de idoso, que causava cegueira, amputação, enfim, a morte era a melhor delas, ou seja, só coisas boas kkkkk.

Lembro-me como se fosse hoje que no meio daquela confusão do descobrimento da doença, a única coisa que meu pai perguntou ao endócrino foi: Dr. minha filha vai poder ter filhos, me disseram que não (foi essa a informação de uma GO que tem diabetes. E o endócrino com a sutileza de um elefante disse que o meu problema era no pâncreas e não no útero e ovário, sem dar qualquer outro tipo de explicação.

Durante o passar dos anos fiz todos os tipos de tratamento. Comecei tomando insulina suína (era horrível, engordava, aumentava quantidade de pêlos pelo corpo), passei para bovina, até que desenvolveram a humana. Tomei NPH, regular, levemir, lantus, novorapid, humalog. Usei seringa, caneta, até que comecei a utilizar o SIC, faz aproximadamente 04 anos que utilizo a bomba da Roche, sem dúvidas o melhor tratamento.

Por conta do mau controle durante a adolescência desenvolvi uma retinopatia não proliferativa moderada. Estou em tratamento constante e já fiz algumas aplicações de laser.
Os anos passaram, eu estudei, me formei, namorei, casei e enfim, chegou o momento de ser mãe.

Até então não tinha contato com ninguém que tinha DM, até descobrir o face, conhecer a Kath e seu blog, a Luciane, a Daiane, entre outras, que se tornaram amigas, companheiras, que me ajudaram e me ajudam muito nessa caminhada.

Consegui manter a glicemia por mais de um ano, com níveis de HB1AC abaixo de 7,0, aguardei a liberação do endócrino, do cardio, do GO, do oftalmo, enfim, de todos os médicos que me acompanham.

Comecei a tomar o ácido fólico, e três meses após tomar o medicamento, parei de tomar o anticoncepcional. Demorei mais de um ano para engravidar, e quando já estava desistindo, engravidei, ah, só percebi que estava grávida com 08 semanas de gestação.

Tive uma gestação muito tranquila, na verdade nem senti passar, voou. Lógico, tive muita hipo, muita hiper, muita correção e ajuste de doses, fiz muitos exames, fui muitas vezes ao endócrino e GO (nos dois últimos meses, toda semana, em ambos), mas foi tudo muito prazeroso. Ah trabalhei até o dia 11/04, não tive qualquer tipo de infecção ou internação durante a gestação.



A partir dos oito meses minha pressão começou a subir, estava muito inchada. No dia 12/04/2016 fui passar nas consultas e quando cheguei na endócrino minha pressão estava 15/10. Ela me colocou em repouso mediu novamente e o resultado foi 14/10. Fui orientada a ligar para a GO e caso não conseguisse deveria ir para o pronto socorro. Fiz como fui orientada. Cheguei no PS fiz todos os exames, disseram que estava tudo normal e que deveria voltar para casa. Sai do PS e fui para a consulta com a GO, chegando lá novamente a pressão 15/10, fui orientada a voltar para a maternidade, dessa vez, já voltei com a carta da GO determinando que fosse feita minha internação para controle da pressão. Parece que eu estava adivinhando, antes de sair de casa, briguei com o marido para que ele colocasse tudo dentro do carro, e ele dizendo que era desnecessário, e no fim, eu estava certa (acho que era o tal do instinto materno).



Minha bênção João Pedro, nasceu de 37+5, parto cesareana, no dia 13/04/2016, às 10:44, com 3.275kg. Foi direto para o quarto. Nasceu em uma quarta-feira.

 No sábado quando já íamos ter alta o médico verificou que ele estava com icterícia e falta de vitamina D. Ele foi para a UTI neo e eu tive alta.



Eu ouvi da médica que a falta de vitamina era em virtude da DM materna. Doeu demais, ter alta e deixar meu pequeno, passar nove meses todos os dias com ele e chegar em  casa sem ele. Sofri e chorei muito, mas sabia que ele estava bem cuidado. Ele teve alta no dia 19/04/2016. Tenho um filho muito saudável, cheio de saúde e muito espoleta.


Digo a vocês que Deus é maravilhoso, Ele tem realizado cada um dos meus sonhos. Ser DM é só um detalhe, não interfere na minha vida, não me limita, não traduz quem sou. Meu filho é um milagre de Deus, ele veio para mostrar que tudo posso Naquele que me fortalece. Como diz na Bíblia, em Eclesiastes 3, para tudo há um tempo, e o meu tempo chegou, estou colhendo os melhores frutos que Deus preparou para mim.


A você que tem DM ou qualquer outro problema de saúde eu digo que, tenha fé, faça seus exames, se cuide, e jamais deixe qualquer tipo de doença controlar sua vida. Coloque todos os seus sonhos nas mãos de Deus, e deixa Ele agir. Os planos de Deus são sempre melhores que os nossos.

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